Em ambientes corporativos cada vez mais complexos e colaborativos, influenciar pessoas é uma das competências mais valorizadas entre profissionais de liderança. E o que muitos ainda não perceberam é que essa habilidade não está restrita a quem ocupa cargos formais de chefia.
Segundo a especialista em comportamento humano Melody Wilding, professora e coach executiva que já atuou com profissionais do Google, Amazon e JPMorgan, a influência é um conjunto de comportamentos intencionais que podem ser aprendidos e aplicados no dia a dia do trabalho, independentemente do seu nível hierárquico ou do seu tipo de personalidade.
“Influência é um conjunto de ações que podem ser aprendidas, não um traço de personalidade fixo”, afirma a autora.
No livro “Managing Up: How to Get What You Need From the People in Charge”, ela apresenta um repertório de técnicas eficazes para quem deseja ser ouvido, respeitado e lembrado nas decisões estratégicas da empresa, mesmo sendo jovem, introvertido ou recém-chegado na equipe. As informações foram retiradas de CNBC Make It.
- Clareza nas decisões constrói autoridade
Um dos erros mais comuns entre profissionais em ascensão é evitar tomar decisões com medo de parecer autoritário ou controlador. Mas, de acordo com Wilding, a capacidade de direcionar reuniões, definir caminhos e atribuir responsabilidades é o que diferencia quem ocupa uma função de liderança de quem apenas participa do processo.
Esse é o chamado poder de função, relacionado à autoridade exercida dentro de um domínio específico. “Quando tudo é decidido por um comitê, isso gera ainda mais confusão”, alerta a especialista.
Em vez de permitir que discussões se arrastem, o profissional influente sintetiza os argumentos e propõe um direcionamento claro, com base no que já foi debatido.
- Valorizar o time amplia sua rede de aliados
A influência também nasce da generosidade. O chamado poder de recompensa surge quando o profissional reconhece o mérito dos colegas com frequência, o que gera reciprocidade e apoio mútuo.
O segredo, segundo Wilding, está em elogios personalizados e específicos. Nada de dizer apenas que “o time foi bem”. Em vez disso, destaque a ação concreta e o impacto que ela gerou.
Esse tipo de atitude fortalece laços e aumenta sua reputação como liderança positiva, algo cada vez mais valorizado em ambientes colaborativos.
- Saber muito não basta — é preciso gerar confiança
Você pode ter o maior nível técnico da equipe, mas isso não garantirá respeito ou escuta ativa se sua comunicação for percebida como arrogante. O que diferencia o conhecimento da influência é o poder do especialista, ou seja, a capacidade de transmitir credibilidade de forma acessível e confiável.
Wilding recomenda substituir afirmações absolutas por frases como “E se tentássemos ajustar o preço? Já vi isso funcionar em produtos semelhantes”. Ou ainda: “Será que consideramos o tempo de processamento? Isso causou atrasos em outros projetos que acompanhei”.
Com isso, você projeta domínio do tema sem soar prepotente, e ainda abre espaço para o diálogo, elemento essencial em lideranças modernas.
- Cobrar responsabilidade é essencial para manter padrões
Por mais simpático que um profissional seja, a liderança exige firmeza na hora de cobrar resultados. Isso se traduz no uso moderado do chamado poder coercitivo, que consiste em reforçar limites e endereçar comportamentos inadequados de forma objetiva.
Mesmo sem um cargo de chefia formal, é possível exercer esse tipo de autoridade, especialmente ao liderar projetos ou conduzir reuniões. Um exemplo prático é nomear padrões negativos, explicar o impacto e propor uma nova conduta.
Essa postura ajuda a preservar a cultura do time e posiciona você como um agente de responsabilidade, uma marca poderosa para qualquer liderança.
- Detalhes pessoais criam conexões duradouras
Por fim, há um tipo de influência que não depende de expertise, cargo ou domínio técnico: o poder referencial. Ele vem do carisma genuíno, da empatia e da capacidade de cultivar relações humanas autênticas.
Líderes influentes prestam atenção aos detalhes. Quando um colega menciona a reforma da casa ou um evento dos filhos, eles anotam — e perguntam depois como foi. Pequenos gestos como esses mostram atenção e respeito, valores que geram engajamento e admiração.
“Quando você faz as pessoas se sentirem vistas e valorizadas, elas confiam em você, apoiam suas ideias e querem trabalhar com você”, resume Wilding.
Por Por Brasília
Fonte Exame
Foto: Getty Images













