5 comportamentos que aumentam sua influência no trabalho — sem parecer manipulador

Ser visto como uma liderança influente no trabalho não depende de carisma nato, mas de habilidades comportamentais aprendidas

Em ambientes corporativos cada vez mais complexos e colaborativos, influenciar pessoas é uma das competências mais valorizadas entre profissionais de liderança. E o que muitos ainda não perceberam é que essa habilidade não está restrita a quem ocupa cargos formais de chefia.

Segundo a especialista em comportamento humano Melody Wilding, professora e coach executiva que já atuou com profissionais do Google, Amazon e JPMorgan, a influência é um conjunto de comportamentos intencionais que podem ser aprendidos e aplicados no dia a dia do trabalho, independentemente do seu nível hierárquico ou do seu tipo de personalidade.

“Influência é um conjunto de ações que podem ser aprendidas, não um traço de personalidade fixo”, afirma a autora.

No livro “Managing Up: How to Get What You Need From the People in Charge”, ela apresenta um repertório de técnicas eficazes para quem deseja ser ouvido, respeitado e lembrado nas decisões estratégicas da empresa, mesmo sendo jovem, introvertido ou recém-chegado na equipe. As informações foram retiradas de CNBC Make It.

  1. Clareza nas decisões constrói autoridade
    Um dos erros mais comuns entre profissionais em ascensão é evitar tomar decisões com medo de parecer autoritário ou controlador. Mas, de acordo com Wilding, a capacidade de direcionar reuniões, definir caminhos e atribuir responsabilidades é o que diferencia quem ocupa uma função de liderança de quem apenas participa do processo.

Esse é o chamado poder de função, relacionado à autoridade exercida dentro de um domínio específico. “Quando tudo é decidido por um comitê, isso gera ainda mais confusão”, alerta a especialista.

Em vez de permitir que discussões se arrastem, o profissional influente sintetiza os argumentos e propõe um direcionamento claro, com base no que já foi debatido.

  1. Valorizar o time amplia sua rede de aliados
    A influência também nasce da generosidade. O chamado poder de recompensa surge quando o profissional reconhece o mérito dos colegas com frequência, o que gera reciprocidade e apoio mútuo.

O segredo, segundo Wilding, está em elogios personalizados e específicos. Nada de dizer apenas que “o time foi bem”. Em vez disso, destaque a ação concreta e o impacto que ela gerou.

Esse tipo de atitude fortalece laços e aumenta sua reputação como liderança positiva, algo cada vez mais valorizado em ambientes colaborativos.

  1. Saber muito não basta — é preciso gerar confiança
    Você pode ter o maior nível técnico da equipe, mas isso não garantirá respeito ou escuta ativa se sua comunicação for percebida como arrogante. O que diferencia o conhecimento da influência é o poder do especialista, ou seja, a capacidade de transmitir credibilidade de forma acessível e confiável.

Wilding recomenda substituir afirmações absolutas por frases como “E se tentássemos ajustar o preço? Já vi isso funcionar em produtos semelhantes”. Ou ainda: “Será que consideramos o tempo de processamento? Isso causou atrasos em outros projetos que acompanhei”.

Com isso, você projeta domínio do tema sem soar prepotente, e ainda abre espaço para o diálogo, elemento essencial em lideranças modernas.

  1. Cobrar responsabilidade é essencial para manter padrões
    Por mais simpático que um profissional seja, a liderança exige firmeza na hora de cobrar resultados. Isso se traduz no uso moderado do chamado poder coercitivo, que consiste em reforçar limites e endereçar comportamentos inadequados de forma objetiva.

Mesmo sem um cargo de chefia formal, é possível exercer esse tipo de autoridade, especialmente ao liderar projetos ou conduzir reuniões. Um exemplo prático é nomear padrões negativos, explicar o impacto e propor uma nova conduta.

Essa postura ajuda a preservar a cultura do time e posiciona você como um agente de responsabilidade, uma marca poderosa para qualquer liderança.

  1. Detalhes pessoais criam conexões duradouras
    Por fim, há um tipo de influência que não depende de expertise, cargo ou domínio técnico: o poder referencial. Ele vem do carisma genuíno, da empatia e da capacidade de cultivar relações humanas autênticas.

Líderes influentes prestam atenção aos detalhes. Quando um colega menciona a reforma da casa ou um evento dos filhos, eles anotam — e perguntam depois como foi. Pequenos gestos como esses mostram atenção e respeito, valores que geram engajamento e admiração.

“Quando você faz as pessoas se sentirem vistas e valorizadas, elas confiam em você, apoiam suas ideias e querem trabalhar com você”, resume Wilding.

Por Por Brasília
Fonte Exame
Foto: Getty Images