Não há dúvidas mais de que o celular de Daniel Vorcaro é um caso de como a realidade supera a ficção.
O que a polícia extraiu dali e entregou em parte para uma CPI é um roteiro prontinho de um filme sobre a promiscuidade entre endinheirados através de esquemas fraudulentos e poderosos sem o menor pudor de levar dinheiro e trabalhar para fraudulentos.
O que se encontra nas mensagens extraídas do celular é uma descrição detalhada de um ambiente de corrupção vista com a maior naturalidade. Que abrange não só políticos para os quais a principal motivação foi sempre a de apenas se preocupar com negócios.
Mas também dão conta essas mensagens de uma relação no mínimo promíscua, lá vem essa palavra de novo, entre o banqueiro chefe de uma organização criminosa e a mais alta magistratura do país. Leia-se Supremo.
Seria um problema ligado a indivíduos que integram o STF (Supremo Tribunal Federal) não fosse a imensa pressão que se formou agora sobre a instituição. Pressão que, diga-se de passagem, passou a incluir também o MP (Ministério Público) na figura do procurador-geral. Que tipo de pressão é essa? É a pior possível.
O conteúdo que se conhece até aqui do celular parece justificar solidamente a ampla desconfiança do público em relação ao topo do Judiciário. Desconfiança essa criada não por campanhas de difamação do STF, mas por alguns de seus próprios integrantes.
Acumulam-se os sinais de que o Supremo não conseguirá resolver essa crise sacrificando alguém apenas. Pois o que se trata agora não é mais da conduta de pessoas. Mas da legitimidade de quem deveria zelar pelas normas que regem o convivio de uma sociedade.
Por Por Brasília
Fonte CNN Brasil
Foto: CNN













