Inteligência emocional e financeira: entenda como emoções influenciam seu bolso

Estudo aponta que emoções como estresse, tristeza e solidão podem influenciar decisões de consumo e levar a gastos impulsivos

Você já voltou para casa com as mãos cheias de sacolas após um dia cansativo e estressante, apenas para se arrepender minutos depois? Se a resposta for sim, saiba que o seu extrato bancário pode estar ligado ao seu humor. 

De acordo com o estudo Spending as social and affective coping (SSAC) — em tradução “Gastar como enfrentamento social e afetivo” —  publicado pela Associação Americana de Psicologia (APA), as emoções são como um motor para o descontrole financeiro, transformando o ato de gastar em uma tentativa de gerenciar o desconforto psicológico. 

A pesquisa mostra que o comportamento de consumo é estruturado em três pilares fundamentais: o enfrentamento afetivo (definido como o esforço para regular as emoções), o enfrentamento social e a impulsividade nos gastos. 

A diferença entre o impulso e a compulsão
Os gastos impulsivos são compras não planejadas, feitas sem a consciência real do ato e movidas por um desejo momentâneo, geralmente estimulado por um gatilho emocional ou visual. 

Por outro lado, os gastos compulsivos representam um desdobramento crônico desse processo, em que o hábito se transforma em uma resposta automática do cérebro para lidar com sentimentos negativos, levando o indivíduo a gastar recursos independentemente de suas necessidades materiais.

Segundo a pesquisa, existe uma conexão direta entre a dificuldade de regular as próprias emoções e a impulsividade. Aqueles que acreditam que o consumo material pode aliviar o sofrimento emocional são mais propensos a comportamentos impulsivos que, eventualmente, se tornam compulsivos.

Os três pilares da compensação emocional
O estudo identificou que o ato de comprar como regulador emocional é sustentado por três pilares (o enfrentamento afetivo, o enfrentamento social e a impulsividade nos gastos), que se manifestam na prática através de quatro gatilhos principais:

1.Regular o humor
Compras feitas para tentar aliviar a tristeza, mágoa, sobrecarga ou tédio, buscando um afeto positivo imediato.

  1. Distração
    O consumo como fuga para evitar pensar em problemas ou para tolerar um mal-estar que a pessoa sente mas que não consegue suportar.
  2. Alívio da ‘dor social’
    Gastos decorrentes da solidão ou exclusão, onde o indivíduo compra de forma impulsiva para tentar forjar laços, “se encaixar” ou melhorar sua autoimagem.
  3. Falta de controle e consciência
    A busca por evitar o estresse imediato esconde a ligação entre o que se sente e o que se compra, transformando a impulsividade em uma resposta padrão e inconsciente. 

Consciência emocional protege o bolso
Se o consumo impulsivo pode funcionar como uma tentativa de aliviar sentimentos difíceis, aprender a reconhecer esses estados emocionais antes da compra é uma forma de reduzir decisões automáticas. Isso significa observar o que vem antes do gasto: cansaço, ansiedade, frustração, solidão ou necessidade de recompensa imediata. 

Fonte Exame
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