Entre doramas, k-pop e ícones gastronômicos, projeto celebra cultura coreana

Projeto Sabadou no Parque da Cidade celebra a cultura coreana com culinária e referências clássicas do país asiático

A fila formada em frente a uma das barraquinhas da Sabadou no Parque, feira montada semanalmente há mais de dois meses no Estacionamento 5 do Parque da Cidade, dava a pista para a dupla de amigas aposentadas Maria Ferreira, 67 anos, e Maria José de Oliveira, 71 anos. Frequentadoras de eventos ao ar livre na Candangolândia, no Polo de Modas e na QI 2 do Guará, elas se espantaram com a qualidade do Sabadou no Parque, afunilado em exploração da cultura coreana. “É maravilhoso. O pessoal é educado e prestativo. Uma beleza, e tudo com nível legal. Brasília propicia a confraternização, conhecer coisas com liberdade, viver a vida com o que ela oferece de bom” avaliou Maria Ferreira, degustando um crispy-dog (à base de queijo e batata frita). “Eventos assim incentivam a gente a procurar novidade na rua”, reforça Maria José.

“Os coreanos têm uma comida que abraça e reúne as pessoas”, sintetizou a cozinheira Célia dos Santos. Enquanto acalenta o sonho de visitar o Mercado Central da Coreia, ela sai de Valparaíso de Goiás, ao lado do marido Advar da Silva, para entregar os novos conhecimentos de gastronomia adquiridos em 25 anos de carreira. Entre vendas de kimchi, comida do dia a dia coreano que consiste em uma acelga fermentada naturalmente que traz benefícios para a pele e o intestino, o casal também comercializa japchae, um macarrão de batata doce. Jardineiro há 20 anos na embaixada da Coreia, Advar destaca: “É um povo muito educado, respeitoso e amistoso”.

Os sul-coreanos, reconhecidos pelos acelerados galopes tecnológicos, conquistam admiradores de todas as idades. Para confirmar a fixação da filha Yasmin Silva, 9 anos, por ícones do K-pop, Simone Leite, 48 anos, esperou mais de um ano. Passado o tempo, a vinda para a feira se tornou programa inevitável. “Foi uma prima que me apresentou o Stray Kids. Acho-os bem fofinhos. Tem grupos coreanos com muitas nuances nos traços físicos dos componentes. Alguns têm origem na Índia, Austrália, Havaí e Estados Unidos”, explicou a aluna do 3º ano. O universo particular da filha virou o de Simone também, uma ex-apaixonada por Menudos, Justin Bieber e afins. “A gente abre a mente para tudo, com a internet. Gosto de saber que os ídolos dela são engajados, por exemplo, em ações sociais”, explica Simone, que compartilha o gosto pelos doramas (famosas séries asiáticas). “São novelinhas com mais romance, com temas tratados de forma mais limpa e carinhosa, sem uso de trapaças e mentiras. É um entretenimento com o qual se vê que dá para se acreditar no amor”, pontua Simone.

Na feira que puxa pelo estômago, desde o gimbap (um sushi coreano em que carnes não são cruas) e o dak-gangjeong (frango apimentado e crocante), há espaço para outros prazeres como o do colecionismo de fotocards com imagens de ídolos asiáticos, com as surpresas dos conteúdos de boosters em pacotes com seis cartas e a exploração de mundos imagéticos japoneses como o dos Pokémon. Na feira há pelúcias, chaveiros e quadrinhos, e muita circulação de gente interessada em trocas e negociação de cartas. Para se ter ideia, há duas semanas, uma carta foi negociada a R$ 14 mil; cartas, que valiam centavos em 1996, hoje podem chegar a mais de US$ 1000.

“Em casa, elas fazem a dancinha, treinam coreografias”, comentou Marina Félix, 35, pela segunda vez na feira, tendo vindo de Taguatinga com a filha Cecília Felix, 10 anos, e a amiga Rafaela da Silva, ambas do 5º ano do Marista. “Acho os cantores muito divertidos, têm personalidades fortes, muita voz e carisma”, destacou Cecília. Entre compras de bótons de J-Hope (do BTS), pacotes de comidas de origem coreana e até um quadro de Hyunjin (do Stray Kids), Rafaela assegurava: “No tempinho livre, vou levar adiante a admiração, até onde puder”.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press