Um colega recebe a promoção que você queria. Outro profissional conquista a vaga, o reconhecimento ou o salário que parecia próximo dos seus objetivos. O desconforto que surge nessas situações não significa, por si só, falta de inteligência emocional.
Uma nova pesquisa sugere que a diferença pode estar na resposta dada à inveja: algumas pessoas transformam a comparação em motivação para evoluir, enquanto outras caminham para hostilidade.
Um estudo conduzido por Christophe Haag, professor de comportamento organizacional da Emlyon Business School, na França, e publicado na revista científica Personality and Individual Differences analisou 442 adultos e encontrou uma associação entre maior capacidade de regulação emocional e níveis mais altos da chamada inveja benigna — aquela ligada ao desejo de melhorar a própria condição.
A conclusão não é que profissionais emocionalmente inteligentes deixem de sentir inveja. É quase o contrário: eles podem sentir o mesmo desconforto, mas ter mais recursos para decidir o que fazer com ele. As informações foram retiradas do YourTango.
Sentir inveja não é o principal problema
A pesquisa parte de uma distinção importante. Na psicologia, a inveja pode seguir dois caminhos.
A inveja benigna é desagradável, mas pode estimular desenvolvimento pessoal: diante de alguém que conquistou algo desejado, a pessoa procura melhorar a própria posição. Já a inveja maliciosa envolve hostilidade e o desejo de diminuir a vantagem do outro.
No trabalho, a diferença aparece com facilidade. Diante da promoção de um colega, um profissional pode pensar: “O que ele fez para chegar até lá e o que eu preciso desenvolver?”
Outro pode reagir tentando diminuir a conquista, questionar o mérito ou procurar defeitos que justifiquem por que aquela pessoa não deveria ter avançado. O fato inicial é parecido —- a direção tomada depois dele é completamente diferente.
Regulação emocional pode mudar a direção da comparação
Os pesquisadores quiseram investigar justamente o papel da inteligência emocional nessa diferença.
Os participantes não responderam apenas se se consideravam emocionalmente inteligentes. Eles passaram por uma avaliação baseada em desempenho para medir capacidade de regulação emocional — ou seja, precisaram escolher estratégias para administrar situações emocionalmente exigentes.
O resultado mostrou que pessoas com maior habilidade de regulação emocional apresentaram maior tendência à inveja benigna.
A associação permaneceu mesmo depois que os pesquisadores controlaram fatores como autoestima, ansiedade e evitação no apego, idade e gênero. Isso sugere que saber administrar uma reação emocional pode estar relacionado à capacidade de transformar uma comparação desconfortável em movimento de desenvolvimento.
O sucesso de outra pessoa pode fornecer informação sobre sua própria carreira
Comparação profissional costuma ter má reputação. Quando vira obsessão, ela realmente pode produzir frustração. Mas ignorar completamente o que desperta inveja também significa perder informação.
Se você sente desconforto quando um colega assume uma liderança, por exemplo, talvez exista ali um objetivo profissional ainda pouco elaborado.
Se a reação aparece quando alguém ganha visibilidade por apresentar bem, o ponto pode estar em uma competência que você gostaria de desenvolver.
Se surge diante da promoção de quem assumiu projetos mais complexos, talvez a comparação esteja mostrando o tipo de responsabilidade que você também quer alcançar.
Em vez de perguntar apenas “por que essa pessoa conseguiu?”, uma análise mais produtiva começa em “o que exatamente eu gostaria de conquistar também?”. É nesse momento que uma emoção desconfortável pode ganhar utilidade profissional.
Fonte exame
Foto: Ingram Publishing/Thinkstock













