A quinta rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política movimentou a corrida ao Governo do Distrito Federal (GDF) na reta final para o primeiro turno. O levantamento mostrou Celina Leão (PP) à frente na disputa, com 53,1% dos votos válidos, enquanto Leandro Grass (PT) aparece com 27,5%. O Correio ouviu os candidatos sobre os resultados e os caminhos que cada campanha pretende seguir nos últimos dias antes da votação.
Celina Leão afirmou que os dados das pesquisas são considerados pela campanha, mas não são o único parâmetro para definir sua atuação na reta final. “A gente sempre trabalha com referências. Esses dados são importantes, claro, mas não são o único fator que baliza o nosso trabalho. A nossa prioridade sempre foram as pessoas. São elas que movem a nossa rotina, que fazem a gente acordar cedo, dormir tarde e trabalhar cada vez mais. É assim que vamos seguir até o último dia: com muito trabalho, ouvindo as pessoas e cuidando de Brasília”, destacou.
O candidato do PT, Leandro Grass, segundo colocado, não comentou o resultado do levantamento. Em comparação com as rodadas anteriores, o petista registrou crescimento de 7,7 pontos percentuais na pesquisa estimulada. Na pesquisa divulgada em 3 de setembro, ele tinha 14,2% das intenções de voto. No levantamento de 23 de setembro, o percentual subiu para 19,6% e, na última rodada, chegou a 21,9%.
Paula Belmonte (PSDB), que registrou 9,7% dos votos válidos, classificou a pesquisa como uma “fotografia do momento” e disse respeitar todos os levantamentos. “O dado que mais chama a atenção é que, a poucos dias da eleição, há muitos eleitores que não definiram espontaneamente o seu voto. Isso mostra que a eleição será decidida nas urnas e que temos muito trabalho pela frente”, analisou. Segundo a candidata, a campanha tem sido feita nas ruas e, na reta final, o trabalho será intensificado nas cidades para buscar os eleitores indecisos. “Tenho muita confiança no trabalho que construímos e, principalmente, na decisão soberana do eleitor no próximo domingo”, destacou.
Com 3,5% dos votos válidos, segundo a pesquisa, Ricardo Cappelli (PSB) ressaltou o percentual de eleitores que não definiram o voto e demonstrou convicção de um resultado positivo na reta final. “A eleição está completamente aberta e será definida nos próximos três dias. A população quer mudança e não quer a continuidade de Celina e também não quer o candidato do PT. Por isso, eu sigo confiante”, afirmou.
Kiko Caputo (Novo) destacou o número de eleitores que ainda não decidiram o voto. “Isso mostra que a eleição ainda está aberta e que muita gente vai definir seu voto nesta reta final. Nossa campanha segue crescendo, apresentando nossas propostas e mostrando à população que existe uma opção de mudança”, afirmou. O candidato registrou 2,8% dos votos válidos no levantamento.
A candidata do UP, Samara Mineiro, destacou o crescimento de sua candidatura nos levantamentos e a baixa rejeição. “Mesmo sendo excluídos dos debates, da grande maioria das entrevistas e sabatinas, nos mantemos em quarto lugar, considerando a margem de erro. A Unidade Popular (UP) é um dos partidos mais novos e o que mais cresce em número de filiados. Todas essas restrições não vão conseguir impedir nosso crescimento”, declarou.
O Professor Robson (PSTU) registrou 0,9% dos votos válidos e disse seguir feliz por continuar pontuando nas pesquisas. “Independentemente do resultado da eleição, a gente se sente muito vitorioso pelo fato de ter conseguido abrir um diálogo franco com uma boa parte da população do DF para mostrar que existe uma alternativa em relação aos grandes partidos, que estão todos eles cooptados e direcionados aos interesses dos grandes grupos capitalistas”, afirmou.
Análise
Cientista política da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora-geral do Observatório do Congresso, Evelyn Apolinaria avalia que, com a saída de José Roberto Arruda (PSD) da disputa, os votos que seriam destinados ao ex-governador foram pulverizados entre os candidatos. “Alguns foram para o Grass, outros até para a Celina ou para a Paula Belmonte. Mas o fato é que podemos ter um cenário de mais votos anulados, e isso favorece a redução do percentual mínimo necessário para que um candidato seja eleito no primeiro turno”, afirmou.
A quinta rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política apontou Celina Leão com 53,1% dos votos válidos, enquanto Leandro Grass apareceu com 27,5%. “No DF, vemos um eleitor ainda muito ressentido com a esquerda. Tanto Grass quanto Cappelli têm mais dificuldade de crescimento, embora a rejeição de Grass e Celina esteja empatada dentro da margem de erro. O cenário do DF está muito marcado pelo antipetismo, o que favorece Celina”, explicou Evelyn.
Analista de risco político e sócio da Royal Politics Consultoria e MKT Político, Rócio Barreto chama atenção para a diferença entre os percentuais de votos válidos e o total de entrevistados. “Os 53,1% de Celina são calculados retirando-se brancos e nulos. Portanto, não significa que 53,1% de todos os entrevistados tenham declarado esse voto na governadora Celina Leão”, explicou. Considerando o cenário com indecisos, brancos e nulos, Celina registra 42,2% e Grass, 21,9%. “Há um eleitorado não completamente consolidado, especialmente na reta final. Portanto, os 53,1% devem ser lidos como um retrato dos votos válidos entre aqueles que fizeram uma escolha dentro da metodologia da pesquisa e não como uma garantia matemática do resultado das urnas”, afirmou.
Na avaliação de Evelyn, os números indicam um cenário em que Celina pode chegar à votação necessária para vencer no primeiro turno. “A tendência, neste momento, mostra que ela pode, sim, ganhar no primeiro turno. Não é um cenário impossível”, afirmou. Segundo Evelyn, o desempenho da governadora está relacionado à dificuldade de Leandro Grass em ampliar sua candidatura. “Grass não conseguiu alavancar sua campanha para se tornar um candidato competitivo no mesmo nível da Celina. Se fôssemos projetar essa competição em nível federal e comparar Lula e Flávio Bolsonaro, vemos uma disputa mais acirrada. No DF, a coisa está mais cristalizada”, analisou.
O percentual de 10,6% de eleitores que declararam intenção de votar em branco ou nulo merece atenção, segundo Barreto. Para ele, esse grupo representa uma parcela expressiva do eleitorado que, no momento da pesquisa, não pretendia converter sua participação em um voto válido para nenhum dos candidatos apresentados. “É um contingente politicamente relevante. Se uma parcela significativa dos votos brancos e nulos migrar para candidatos, ela altera a distribuição dos votos válidos”, afirmou.
A poucos dias da votação, Barreto avalia que o principal ponto de atenção está no eleitorado que ainda não consolidou sua escolha. “A pesquisa mostra um cenário definido no momento da coleta, mas a eleição ainda possui uma janela curta de movimentação. Tudo isso pode influenciar eleitores que ainda não consolidaram sua escolha e mudar aqueles que têm o voto consolidado, a depender do que vier a acontecer”, afirmou.
Segundo ele, a reta final deve ser marcada pela tentativa dos candidatos de consolidar seus eleitores, reduzir rejeições e conquistar aqueles que ainda não transformaram a intenção em uma decisão definitiva. “Isso é diferente de afirmar que a pesquisa antecipa o resultado eleitoral. As pesquisas políticas são uma fotografia. Você olha para um certo momento e registra a fotografia. Alguns segundos após, se você tirar a mesma fotografia do mesmo lugar, já há mudanças”, comparou.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília













