A atualização periódica do Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, mantida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), aponta a presença de 12 empregadores com registro no Distrito Federal. Ao todo, as fiscalizações e processos administrativos associados a esses empregadores do DF envolveram 275 trabalhadores em situações de vulnerabilidade extrema e violação de direitos trabalhistas.
A diversidade dos setores econômicos envolvidos mostra que o trabalho análogo à escravidão se manifesta em múltiplas frentes, desde serviços financeiros e comércio local até atividades domésticas e apoio florestal. Serviços Financeiros e Gestão de Ativos (CNAE 6499-9/99) foi o segmento que concentrou o maior volume de trabalhadores impactados vinculados a empregadores sediados no DF, somando cinco casos.
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Em quatro dessas ações fiscalizatórias (incluindo operações em filiais dessas empresas em Osasco/SP e em Itajaí/SC, além de fiscalizações indiretas), foram identificados 55 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em cada uma. Em outro caso sob a mesma atividade e modalidade de fiscalização indireta, foram contabilizados 28 trabalhadores envolvidos. Serviços Domésticos (CNAE 9700-5/00) conta com duas ocorrências registradas no DF, com um trabalhador resgatado em uma chácara em Sobradinho II e um trabalhador em ambiente residencial.
O comércio do DF registra três estabelecimentos na lista. Comércio de carvão e outros produtos (CNAE 4789-0/99) conta com um caso na região de Santa Maria, onde foram registrados seis trabalhadores submetidos a condições análogas às de escravo. Comércio de bebidas (CNAE 4723-7/00), com estabelecimento na região de Taguatinga, envolveu um trabalhador. No setor de Minimercados e conveniência (CNAE 4712-1/00, um caso, também em Taguatinga Norte, envolveu um trabalhador.
A área de Apoio à Produção Florestal e Manejo (CNAE 0230-6/00) figura na lista. No setor de serviços florestais (serviços de podas de árvores e remoção de entulho), a fiscalização realizada na região do Paranoá identificou 15 trabalhadores na atividade. Serviços Pessoais e Entretenimento (CNAE 9609-2/99), no ramo de entretenimento e serviços pessoais (bar e snooker), aparece com um estabelecimento situado na região de Itapoã, onde havia dois trabalhadores nas referidas condições.
Atualização da lista
O tema ganhou notoriedade após o MTE atualizar o Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas às de escravo. A nova edição da chamada “lista suja” incorporou 82 infratores — 54 pessoas físicas e 28 empresas —, cujas ações fiscais resultaram na libertação de 553 trabalhadores em 21 estados do país.
Entre os casos registrados, a amplitude dos resgates varia de situações individuais — frequentes no trabalho doméstico — a operações de grande porte. O destaque do período foi a libertação de 54 trabalhadores no Garimpo Filão dos Abacaxis, em Maués (AM), durante fiscalizações conduzidas entre 2024 e 2025.
Apesar dos números expressivos, a nova relação apresentou uma queda de 51,48% nas inclusões, em comparação com o balanço anterior, publicado em abril de 2026. A pecuária de corte lidera as atividades econômicas com mais flagrantes (oito casos), seguida pelo serviço doméstico (sete), produção de carvão vegetal (seis), cultivo de café (seis) e construção de edifícios (cinco).
Denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma anônima e 100% digital por meio do Sistema Ipê, plataforma desenvolvida pelo MTE em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Fonte Correio Braziliense
Foto: Kleber Sales













