Os vídeos da acareação entre o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, divulgados na última quinta-feira (29), expuseram a estratégia das defesas: cada um tentou atribuir ao outro a responsabilidade pelas fraudes.
A legislação prevê que os diretores estatutários de instituições financeiras respondam por seus atos nas decisões que tomam nos bancos, o que ajuda a entender também por que os ex-ministros da Fazenda Guido Mantega e Henrique Meirelles aceitaram ser conselheiros consultivos, e não administrativos do Master.
Isso significa que tanto Vorcaro quanto Paulo Henrique, assim como os diretores do Master e do BRB, respondem nesta investigação com seus CPFs e, no limite, com seus patrimônios, por todos os atos que assinaram à frente dessas instituições.
O que deixa claro também por que, durante a acareação, emergiu a contradição entre eles. Quando é o CPF que está sob risco, nada mais óbvio do que apontar que a culpa é de outro CPF. Foi o que ocorreu.
Vorcaro disse que o BRB teria sido informado de que os créditos podres adquiridos do Banco Master a partir de janeiro de 2025, que impulsionaram a fraude, foram originados por uma empresa terceira, a Tirreno. Já o presidente do BRB disse acreditar que a origem dos valores havia sido do próprio Master.
Quem acompanha de perto o caso relata que, na prática, um dos dois pode estar mentindo, sim, mas que é possível também que ambos estejam errados ao apontar o dedo um para o outro.
Isso porque há um cânone na atividade financeira batizado, em inglês, de “Know your client”, ou seja, “Conheça seu cliente”. Em outras palavras, saiba tudo sobre quem negocia com você e sobre o que ele negocia com você. Nesse sentido, o Master teria errado ao não identificar que a Tirreno lhe vendera créditos podres, e o BRB ao não identificar esses créditos podres na negociação com o Master.
A estratégia de responsabilizar um ao outro também tem um objetivo adicional para as defesas dos banqueiros: sugerir que o BC (Banco Central) negligenciou o que ocorria. Tese abraçada também por grande parte do universo político, que teme virar alvo das investigações e conta com órgãos como o TCU (Tribunal de Contas da União) e o próprio STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar responsabilizar o BC.
Investigadores relataram à CNN que o BC emitiu uma série de comunicados às duas instituições que indicavam discrepâncias nos dados, e que, quando elas enviavam explicações, as assinaturas dos documentos “corrigindo” as discrepâncias eram posteriores às transações financeiras que já haviam sido realizadas.
Um claro sinal de fraude que acendeu o alerta no BC e que o levou, dentre outras evidências de fraude, a acionar a PF (Polícia Federal).
Essas fontes relatam ainda que o BC não é o responsável por auditar as transações financeiras antes de elas acontecerem e que cumprir a lei é obrigação de cada banco — o que, para eles, claramente não ocorreu nem por parte do Master nem por parte do BRB.
Por Por Brasília
Fonte CNN Brasil
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