Master: Mendonça aguarda relatório da PF para definir primeiras decisões

Delegados enviarão atualização sobre inquérito ao ministro até o final do mês; ordens de Toffoli podem eventualmente ser revistas

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), vai aguardar o envio pela PF (Polícia Federal) de um relatório sobre a investigação que apura fraudes do Banco Master para avaliar as primeiras decisões no caso.

Mendonça assumiu a condução do inquérito no STF na semana passada depois que o ministro Dias Toffoli pediu afastamento do caso. A saída aconteceu em meio ao aumento da pressão diante de decisões tomadas pelo ministro nos últimos meses.

Ordens dadas por Toffoli no inquérito podem eventualmente ser revistas por Mendonça. Essa avaliação, no entanto, somente será feita depois de o ministro analisar o material que vem sendo preparado pelos delegados da Polícia Federal.

O novo relator convocou investigadores responsáveis por conduzir o inquérito policial para uma reunião virtual. O objetivo da conversa foi tomar conhecimento da investigação e sua atual fase.

Ficou combinado com os delegados que um relatório sobre o caso seria produzido e enviado ao ministro até o final do mês. Com o documento em mãos, Mendonça avaliará as primeiras decisões necessárias no inquérito.

Com a troca na relatoria, o ministro passou a concentrar em seu gabinete duas investigações de repercussão nacional e potencial explosivo para a política e passou a ser um dos magistrados mais empoderados no STF em ano eleitoral.

Mendonça é responsável pelo inquérito que investiga fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A apuração mira desvios de aposentadorias e pensões de idosos nos governos de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As duas investigações têm potencial de afetar integrantes do governo Lula, além de partidos e políticos do centro e da oposição no Congresso Nacional. Quem acompanha os dois processos afirma que novas operações devem ser deflagradas nos próximos meses.

O avanço das investigações da PF nos dois casos, sob a condução de Mendonça, em um ano eleitoral, amplia a preocupação da classe política de Brasília com as possíveis revelações que podem vir à tona.

No meio do ano, Mendonça assume a vice-presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O ministro fará parte da gestão, chefiada por Nunes Marques, que conduzirá a Justiça Eleitoral nas eleições de outubro.

Por Por Brasília
Fonte CNN Brasil
Foto: 01/12/2021REUTERS/Adriano Machado