Semana será de tempo firme e baixa umidade no Distrito Federal

Céu claro, temperaturas entre 12°C e 29°C e ausência de chuva devem marcar os próximos dias, especialistas alertam para cuidados com a saúde

O Distrito Federal deve ter uma semana de tempo firme, céu claro e sem previsão de chuva até a próxima sexta-feira, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). As temperaturas devem subir gradualmente ao longo dos dias, com mínimas a partir de 12°C e máximas que podem chegar a 29°C. A umidade relativa do ar também deve permanecer baixa, especialmente durante as tardes. 

De acordo com a meteorologista Larissa Monteiro, o início da semana será marcado pelo predomínio de céu claro. Na terça-feira, a mínima deve ficar em 14°C, com máxima de 26°C. A partir de quarta-feira, a nebulosidade aumenta ligeiramente, mas o tempo permanece estável, com poucas nuvens até o começo do fim de semana.

Entre quarta e quinta-feira, as tardes ficam mais quentes, com máximas de 28°C. Na sexta-feira, os termômetros podem chegar aos 29°C, enquanto as mínimas permanecem próximas de 15°C. A diferença entre as temperaturas registradas nas madrugadas e durante as tardes deve ficar entre 12°C e 14°C.

Segundo a meteorologista, o principal ponto de atenção, no entanto, fica por conta da baixa umidade relativa do ar no período da tarde. “Já estamos com avisos vigentes para segunda e terça-feira, dias em que os índices devem cair para valores entre 20% e 30%. Esse comportamento seco deve persistir até o final da semana, e a nossa equipe seguirá acompanhando as próximas rodadas dos modelos meteorológicos”, destaca Monteiro.

Ainda de acordo com a especialista, é importante ressaltar que todo o panorama observado em julho de 2026 está se comportando dentro da média histórica. “Tanto as temperaturas máximas e mínimas quanto a ausência de precipitação estão alinhadas com a climatologia esperada para esta época do ano no Distrito Federal”, comenta a meteorologista. 

Com a baixa umidade do ar, especialistas fazem alertas para cuidados em relação à saúde. Segundo a médica otorrinolaringologista clínica e especialista em doenças respiratórias do Hospital Santa Lúcia, Larissa Camargo, com a redução da umidade do ar e a redução das temperaturas, há uma concentração maior de impurezas no ar como vírus, bactérias e partículas de poeira.

“Esses fatores são agentes irritativos. Em contrapartida, o ressecamento do ambiente prejudica o funcionamento da sua barreira primária de proteção, que são os micro cílios do nariz. Então, você tem uma maior concentração de agentes irritativos com uma proteção reduzida, o que gera uma tendência maior de infecções de vias superiores, como as otites, sinusites, faringites, inferior os processos alérgicos e infecciosos, bronquite, pneumonia e crises de asma”, explica a médica Larissa. 

As crianças menores de 2 anos e os idosos estão entre os principais grupos de risco para o agravamento de problemas respiratórios durante o período de baixa umidade e maior concentração de agentes no ambiente. Segundo o especialista, as crianças se desidratam mais facilmente, apresentam quadros mais exuberantes e têm as vias aéreas mais estreitas. Além disso, a carteira de vacinação ainda pode estar em processo de conclusão devido à faixa etária. “Essas crianças costumam ter uma evolução muitas vezes mais rápida”, afirma a médica. 

No caso dos idosos, a atenção deve ser redobrada por causa das comorbidades e da possibilidade de os sintomas aparecerem de forma mais sutil. “Muitas vezes eles têm quadros sutis. O idoso fica mais apático, não tem um quadro de febre exuberante. Então, o idoso que ficou mais quieto, diminuiu a ingestão alimentar ou está mais apático precisa ser avaliado com atenção, porque é necessário pensar em algum processo infeccioso em curso”, explica Larissa. 

Pessoas que já têm doenças respiratórias, como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), asma ou quadros alérgicos, também podem apresentar uma piora dos sintomas. “Os pacientes que já têm uma doença obstrutiva crônica, um quadro de asma importante ou quadros alérgicos costumam sentir mais sintomas e exacerbar as doenças de base nesse período, porque há muito mais agentes concentrados no ambiente e uma proteção reduzida da via aérea”, diz. Segundo ela, esse cenário contribui para o aumento das manifestações respiratórias.

Para quem pratica atividades físicas, a hidratação é uma das principais medidas de proteção. “O principal na atividade física é a hidratação. Antes, durante e depois do exercício. As células de proteção conseguem chegar à mucosa, seja da cavidade oral, do nariz ou dos olhos, por meio de um ambiente aquoso e úmido. Então, quando você se hidrata e ingere mais água, protege toda a sua via aérea”, orienta.

A especialista também recomenda que os exercícios sejam realizados, sempre que possível, nos períodos de menor calor, antes das 10h ou depois das 16h. A redução da intensidade da atividade e da exposição a ambientes mais secos também pode ajudar a diminuir o desconforto. “Nos pacientes que têm queixas respiratórias, é importante reduzir a intensidade do exercício para diminuir a possibilidade de desconforto durante as atividades”, afirma.

Entre os sinais de alerta, a mudança de comportamento deve ser observada em qualquer faixa etária. “Um paciente que é muito ativo e ficou mais apático ou mais quieto deve chamar a atenção, principalmente quando se trata de crianças muito pequenas e idosos”, destaca. Nas crianças, irritabilidade e redução da ingestão de líquidos e alimentos também são sinais que exigem atenção.

A persistência de febre, tosse e rouquidão também deve ser monitorada. “Os idosos muitas vezes não fazem febre. Então, a presença de febre em um idoso já é um sinal de atenção para um quadro muito mais exuberante”, explica. A mudança no padrão respiratório é outro alerta importante, especialmente quando há falta de ar ou desconforto respiratório em repouso ou durante pequenas atividades do dia a dia. Nesses casos, a recomendação é buscar atendimento médico.

Para prevenir problemas de saúde durante o período, a orientação é reforçar os cuidados básicos. “Se a gente já viu que a hidratação faz diferença, é importante ingerir mais água mesmo sem sentir sede”, afirma. A lavagem nasal também é recomendada, já que a secura pode reduzir a hidratação dos cílios presentes nas vias aéreas. “Quando você hidrata, otimiza a função dessa barreira tão importante que é a cavidade nasal”, explica Larissa Camargo. 

Além de afetar a respiração e os pulmões, a baixa umidade do ar também pode prejudicar a pele ao favorecer a perda de água. De acordo com a médica dermatologista Regina Buffman, o tempo seco pode comprometer a barreira de proteção cutânea e intensificar sintomas em pessoas que já apresentam condições dermatológicas.

“A baixa umidade do ar favorece a perda de água pela pele, o que pode comprometer a barreira de proteção cutânea. Com isso, a pele tende a ficar mais ressecada, áspera e sensível”, explica. Segundo a dermatologista, pessoas com dermatite atópica, psoríase ou pele naturalmente seca podem sofrer ainda mais com o período de baixa umidade, com piora da coceira e da irritação.

Entre os principais sinais de ressecamento estão a sensação de repuxamento, descamação, aspereza, coceira e vermelhidão. Em casos mais intensos, podem surgir pequenas fissuras ou rachaduras, especialmente nas mãos, nos lábios e em áreas mais expostas. “Também é comum que pessoas com pele sensível percebam uma maior irritação nesse período”, afirma Regina.

Para proteger a pele durante os dias de tempo seco, a orientação é manter uma rotina regular de hidratação. “É importante manter uma boa hidratação da pele, utilizando hidratantes adequados ao tipo de pele, especialmente logo após o banho”, recomenda. A médica também orienta evitar sabonetes muito agressivos, dar preferência a banhos rápidos e com água morna e manter o uso do protetor solar durante o dia.

Segundo a dermatologista, a hidratação não deve ser feita apenas quando o ressecamento já está instalado. “A hidratação deve ser feita de forma regular, e não apenas quando a pele já estiver muito ressecada”, destaca.

O banho quente e prolongado também pode agravar o problema. “A água muito quente remove parte da oleosidade natural da pele, que ajuda a manter a barreira de proteção, e isso pode aumentar o ressecamento. Banhos demorados também contribuem para esse processo”, explica Regina. A recomendação é optar por banhos mais rápidos, com água morna, e aplicar o hidratante logo depois, quando a pele ainda estiver levemente úmida.

Em caso de coceira intensa, lesões, rachaduras ou irritação persistente na pele, a recomendação é procurar avaliação médica. “Esses sinais podem indicar que o ressecamento está mais intenso ou que há alguma condição dermatológica associada”, alerta a dermatologista.

Fonte Jornal de Brasília
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil