As 7 habilidades que a IA está tornando mais valiosas no mercado de trabalho, segundo a McKinsey

Levantamento mostra que a inteligência artificial está mudando o perfil dos profissionais mais disputados pelo mercado

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade para se tornar um fator decisivo na forma como as empresas contratam, desenvolvem e promovem profissionais. Se antes o domínio técnico era suficiente para abrir portas, agora cresce a demanda por habilidades que as máquinas ainda não conseguem reproduzir com facilidade, como criatividade, pensamento crítico e resolução de problemas complexos.

É o que aponta o HR Monitor 2026, estudo da McKinsey & Company, divulgado no fim de julho. A pesquisa ouviu mais de 5.500 profissionais e cerca de 1.300 líderes de recursos humanos em dez países e conclui que o mercado de trabalho entrou em uma nova fase: a da economia das competências.

A IA, segundo o estudo, não elimina a necessidade de pessoas qualificadas, mas muda profundamente quais capacidades passam a gerar mais valor para empresas e profissionais.

A consultoria destaca que as organizações precisarão abandonar a lógica baseada apenas em cargos e diplomas para adotar uma gestão orientada por habilidades, acompanhando continuamente quais competências existem na empresa e quais serão necessárias nos próximos anos.

As 7 habilidades que ganham importância
A pesquisa mostra que as empresas estão priorizando competências que ajudam profissionais a trabalhar em conjunto com a inteligência artificial, e não competir com ela.

As sete habilidades que mais ganharam relevância são:

Resolução de problemas complexos
Criatividade
Análise de dados e inteligência artificial
Letramento digital
Capacidade de raciocínio
Resiliência e adaptabilidade
Inovação
Na avaliação da McKinsey, essas competências se tornam mais estratégicas porque envolvem julgamento humano, interpretação de contexto, tomada de decisão e capacidade de conectar diferentes conhecimentos, atributos que continuam sendo diferenciais mesmo com o avanço da IA.

Em contrapartida, habilidades altamente especializadas em desenvolvimento de software, arquitetura de TI e desenvolvimento de hardware aparecem em queda no ranking de prioridade, refletindo o avanço das ferramentas de IA capazes de automatizar parte dessas atividades.

IA muda o conceito de qualificação
O relatório também mostra que a transformação não depende apenas da tecnologia, mas da capacidade de aprender continuamente.

Em média, 71% dos profissionais acreditam que a inteligência artificial afetará diretamente o trabalho e exigirá novas competências. Apesar disso, o acesso à capacitação ainda é limitado: apenas 31% dos trabalhadores nos Estados Unidos, 25% na Europa e 49% na China afirmam ter recebido treinamento formal em IA generativa oferecido pelas empresas.

Outro dado preocupa: 24% dos profissionais dizem não ter recebido nenhuma hora de treinamento corporativo nos últimos 12 meses, sinal de que muitas organizações ainda não acompanham a velocidade das mudanças provocadas pela IA.

O desafio das empresas
Embora a inteligência artificial esteja transformando o trabalho em ritmo acelerado, poucas empresas se preparam para essa mudança de forma estratégica.

Apenas uma pequena parcela das organizações realiza planejamento de força de trabalho olhando para horizontes de três anos ou mais, segundo o estudo. A maioria continua concentrada nas necessidades imediatas de contratação, em vez de antecipar quais habilidades serão necessárias no futuro.

Para a consultoria, isso exige uma mudança de mentalidade. Em vez de medir apenas horas de treinamento, as empresas devem avaliar se os funcionários realmente desenvolveram novas competências e conseguem aplicá-las no dia a dia.

O relatório recomenda integrar o aprendizado de IA às avaliações de desempenho, criar trilhas personalizadas de capacitação e transformar o desenvolvimento contínuo em parte da estratégia de negócios.

O que isso significa para a carreira
Para os profissionais, a principal mensagem do estudo é que dominar ferramentas de inteligência artificial será importante, mas não suficiente.

As empresas tendem a valorizar cada vez mais quem consegue combinar tecnologia com competências humanas, como pensamento crítico, criatividade, colaboração, capacidade analítica e aprendizado contínuo. Em um mercado em rápida transformação, o diferencial deixará de ser apenas o conhecimento técnico e passará a ser a capacidade de evoluir junto com as mudanças.

Fonte exame
Foto: Magnific/Reprodução