Pelo menos 25 pessoas ficaram desabrigadas no Distrito Federal com a forte tempestade ocorrida na tarde da última quarta-feira (16/9). Chuvas intensas, rajadas de vento e queda de granizo nas regiões de Samambaia, Arapoanga e Planaltina destruíram estruturas de muros, residências e comércios. Cerca de 180 ocorrências foram registradas pelos órgãos ligados à Secretaria de Segurança Pública, como a Defesa Civil, entre elas desabamentos de muros, árvores derrubadas e telhados que foram arrancados com a força do temporal. Entre os casos atendidos pelos bombeiros, estão desabamento, destelhamento e queda de árvores.
No início da manhã dessa quinta-feira (17/9), a governadora Celina Leão (PP) visitou as áreas mais afetadas em Planaltina e Arapoanga. “Fiz questão de estar ali, caminhar pelas ruas, entrar nas casas, ouvir cada família e ver de perto o que precisava ser feito. Numa hora dessas, a presença faz diferença. Nossas equipes estão mobilizadas para garantir acolhimento, alimentação, medicamentos, assistência social e todo o suporte necessário. Eu vou acompanhar de perto cada passo. Quem foi atingido pela chuva precisa saber: vocês não estão sozinhos. Nós estamos aqui”, afirmou.
A Defesa Civil informou que, em Planaltina e Arapoanga, as equipes estão fazendo vistorias técnicas e prestando atendimento às famílias afetadas. Foram registradas quedas de árvores em diferentes pontos, com ocorrências que atingiram residências, muros e a rede elétrica. Como medida preventiva, 14 imóveis foram temporariamente interditados, até que sejam realizadas as intervenções necessárias e uma nova vistoria técnica avalie as condições de segurança dos locais. Em Samambaia, as equipes também permanecem em campo, fazendo vistorias e atendendo moradores afetados pelas chuvas.Play Video
Estragos
Ao menos seis residências no Arapoanga ficaram inabitáveis com os graves danos causados pelas chuvas. Segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF), a tempestade ocasionou a derrubada de diversos eucaliptos sobre os imóveis da região administrativa, destruindo muros e redes elétricas, afetadas pela queda de árvores sobre a fiação. Ainda de acordo com a corporação, as equipes atenderam a 62 ocorrências entre às 15h da quarta-feira e as 8h de ontem, em Planaltina e Samambaia.
Segundo o administrador de Arapoanga, Sérgio Araújo, não houve mortes nem entrada em hospitais foram registradas. Estamos fazendo uma força-tarefa para restabelecer a dignidade dessas pessoas o quanto antes. A administração regional fez acolhimento de algumas famílias e nós estamos entendendo quantas famílias a mais precisam de assistência”, disse ao Correio.
A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) dá suporte no acolhimento das famílias afetadas. “Nós disponibilizamos um espaço dentro da administração para fazer o primeiro acolhimento. O restaurante comunitário vai distribuir comida para as pessoas nesse primeiro momento. Estamos fazendo o que precisamos, mapeando tudo e entendendo quais as famílias para que, muito em breve, a gente consiga estabelecer a ordem”, informou Araújo.
A Administração Regional de Arapoanga está recebendo doações de material de construção, como telhas e calhas, para ajudar na recuperação dos prejuízos causados nas casas atingidas. “A governadora Celina Leão determinou que os órgãos do GDF se organizassem e pegassem os materiais disponíveis na Novacap, no DER e em outras instituições. Estamos com três pontos focais pela região fazendo uma compilação de quantidade necessária. Na medida do possível, faremos a reposição deste material”, detalhou Dênis Inácio, chefe de gabinete da administração.
Vítimas
A dona de casa Eucirlene da Silva, 34 anos, e o ajudante de pedreiro Cleiton dos Santos, 36, moram em Arapoanga há um ano com duas filhas e viveram o pesadelo de ver a residência tendo as telhas derrubadas pela chuva. O pai relata que, no momento do desespero, tirou as crianças do quarto. Logo depois, a telha teria caído no mesmo local onde elas estavam. “As menina falando ‘mamãe, a gente vai pra onde?’, e eu respondia ‘não sei, minha filha'”, relatou a mãe, consternada. A família perdeu os móveis da residência. Em lágrimas, Eucirlene relembra que levou as filhas para casa da vizinha, que também tinha perdido uma das telhas, mas estava em melhores condições que a casa do casal. “Vamos ver de ir para algum abrigo”, lamentou.
Moradora de Planaltina, a dona de casa Daiane Barbosa da Silva, 36, precisou pedir abrigo na administração, porque teve a casa destelhada devido à chuva de granizo. “Tenho cinco filhos, mas no momento da chuva, estava com três dentro de casa. Começou caindo pequenos pedaços de granizo e depois os tamanhos dos pedaços aumentaram. As telhas começaram a se movimentar e ficar batendo, foi quando decidi pegar meus filhos e pedir abrigo na casa da vizinha”, relatou. “Quando cheguei na porta da rua, olhei para trás e vi que o muro da minha casa havia desabado. Fiquei um tempo na casa da vizinha e, quando a chuva parou, eu voltei e vi que tudo estava destruído na minha casa. Dormi lá mesmo, mas hoje (quinta-feira), resolvi vir pedir ajuda aqui na administração. Eu espero conseguir ajuda para reparar os danos, porque se tiver outra chuva igual, minha casa não fica mais de pé”, desabafou.
Na Avenida Erasmo de Castro, o muro de uma oficina desabou por volta das 17h40 da quarta-feira. Segundo Diego Lopes, 29, a situação foi desesperadora. O homem estava no local durante o ocorrido, com outros quatro mecânicos e três clientes. “A sorte é que não estávamos próximos à parede que caiu. Corremos pra fora da loja, com medo do teto cair também”, conta. Abalado, o dono do estabelecimento relembra que ficou em choque. Felipe Lima, 30, descreve que os clientes foram compreensivos diante de todo o transtorno. “A gente demorou a acreditar que isso tinha acontecido. Agora, é cabeça erguida e bola para frente”, afirmou, consternado.
O autônomo Francisco Diogo, 32, teve a casa atingida pela primeira vez. “Na hora da tempestade, eu precisei me abrigar debaixo da pia junto com minha mulher e meus três filhos. Ficamos vendo as telhas voarem e os galhos caírem. Foi agoniante. Levei minha família para a casa da minha sogra em Planaltina e fiquei para resolver os estragos. Tivemos o prejuízo de 15 telhas e um fio de energia que quebrou. O prejuízo foi só material. O importante é que ninguém se machucou e ninguém se arranhou”, contou.
Meteorologia
A possibilidade de chuva de granizo ainda não está descartada para hoje no Distrito Federal, apesar da tendência de redução da instabilidade nos próximos dias, de acordo com o meteorologista Mércio Dantas, do Inmet. “Tivemos uma mudança no padrão de alta e média troposfera, na circulação dos ventos, que favoreceu o aumento da umidade. Associado às altas temperaturas, isso favoreceu o aumento da instabilidade e o desenvolvimento de nuvens convectivas, que propiciam a formação de pedras de gelo”, explicou.
A mudança no padrão do tempo é considerada típica do período de transição entre o inverno e a primavera. “Ainda é normal para essa época do ano. As chuvas ainda não estão estabelecidas. A entrada de umidade e o predomínio da massa de ar seco são comuns nesse período de transição”, explicou. O meteorologista ressalta que o período chuvoso ainda não se estabeleceu no DF. Com o avanço da massa de ar quente e seco, as temperaturas devem permanecer elevadas. A previsão é de marcas acima dos 30°C e, a partir do início da próxima semana, os termômetros podem superar os 32°C.
Sedes
Duas equipes da Unidade de Proteção Social 24 Horas (UPS 24h) da Secretaria de Desenvolvimento Social(Sedes-DF) foram mobilizadas para a região de Arapoanga, a mais atingida pelas chuvas. Até o momento, foram atendidas 27 famílias, totalizando 68 pessoas. As equipes realizaram o levantamento das necessidades das famílias atingidas, com orientações e encaminhamentos para acesso a benefícios socioassistenciais e demais serviços da rede.
Orientações
Corpo de Bombeiros
» Desvie de locais inundados: nunca transite por vias alagadas, seja caminhando ou dirigindo. A profundidade pode ocultar buracos profundos, bueiros sem tampa e entulhos, além de a força da água ser suficiente para arrastar automóveis e pedestres.
» Abandone o carro se a água subir: em hipótese alguma force a travessia de trechos com acúmulo de água. Se o nível começar a elevar-se, estacione em uma zona segura — desde que isso não coloque sua vida em risco.
» Fique longe de árvores e postes: afaste-se de vegetações de grande porte, postes de iluminação e estruturas vulneráveis, principalmente durante rajadas de vento. Nunca tente realizar podas ou cortes por conta própria.
» Cuidado com a rede elétrica: se avistar cabos de energia partidos ou encostados em árvores, poças d’água e grades, mantenha distância absoluta e evite tocar em qualquer superfície metálica. Isole a área para proteger terceiros e chame imediatamente a concessionária local ou os Bombeiros (193).
» Deixe imóveis danificados: caso ocorra destelhamento ou comprometimento na estrutura do seu lar e haja perigo iminente, evacue o local imediatamente e só retorne após uma avaliação técnica de segurança.
» Proteja-se de raios ao ar livre: durante chuvas intensas e trovoadas, evite permanecer em campos abertos, perto de árvores isoladas, torres metálicas ou locais propensos a enchentes.
» Quem chamar na urgência: em situações críticas, entre em contato com o Corpo de Bombeiros (CBMDF) pelo número 193, fornecendo o endereço exato e detalhando os perigos observados.
Defesa Civil
» Em razão das chuvas registradas, que provocaram destelhamentos, quedas de muros e árvores e outros danos, a Defesa Civil orienta a população a manter atenção e adotar medidas de segurança para evitar acidentes.
» A principal recomendação é não entrar em imóveis ou áreas que tenham sido interditados ou apresentem sinais de comprometimento estrutural, como rachaduras, paredes inclinadas, telhados danificados ou muros instáveis. Estruturas aparentemente seguras podem apresentar risco de queda ou desabamento.
» A população também deve manter distância de árvores inclinadas ou parcialmente caídas, postes e fios de energia rompidos ou no chão. Em nenhuma circunstância deve tentar retirar árvores, galhos ou objetos que estejam em contato com a rede elétrica.
» Quem teve a residência destelhada deve evitar subir no telhado ou fazer reparos enquanto houver chuva, ventos fortes ou condições inseguras.
» A Defesa Civil reforça ainda que a população deve acompanhar os alertas e comunicados oficiais, especialmente diante da possibilidade de novas chuvas. Ao perceber qualquer situação de risco, a orientação é deixar o local e buscar uma área segura.
*Em situações de emergência, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone 193. Para situações relacionadas à Defesa Civil, o contato é pelo 199
Fonte Correio Braziliense
Foto: Ed Alves/CB/D.A Press













