Todo ambiente de trabalho tem alguém que fala mais alto na reunião, lembra a todo momento dos próprios resultados e parece muito satisfeito consigo mesmo. É fácil confundir esse comportamento com autoconfiança. Para a psicóloga americana Marisa G. Franco, o jeito como essa pessoa trata os outros costuma contar outra história: hostilidade, irritação e relações conturbadas são sinais de insegurança, não de autoestima.
Professora da Universidade de Maryland, Franco passou anos pesquisando o tema para o livro Worthy, lançado em setembro nos Estados Unidos. Em artigo publicado na CNBC Make It, ela explica por que é fácil se enganar e quais sinais ajudam a separar o ego inflado da segurança real.
A distinção não serve só para avaliar os outros. Segundo a psicóloga, conviver com pessoas seguras de verdade, sejam amigos, chefes ou colegas, ajuda a construir relações em que a gente se sente valorizado e, com o tempo, a desenvolver a mesma segurança.
Os dois sinais de alerta do ego inflado
O primeiro é a necessidade de estar sempre no centro das atenções. Segundo Franco, quem age assim muitas vezes está compensando uma insegurança e enxerga cada encontro como uma chance de conquistar a plateia, e não de se conectar com as pessoas. Confiança não é o mesmo que domínio.
O segundo é tratar os outros como inferiores. Pessoas inseguras, diz a psicóloga, negam respeito a quem consideram do mesmo nível e maltratam quem enxergam abaixo. Ver as relações como uma hierarquia, para ela, é sinal de insegurança.
Cargo e salário não garantem autoestima
Existe a crença de que o emprego certo, o corpo certo ou o carro certo deixam a pessoa segura. Franco cita meta-análises que contrariam essa ideia. Uma delas não encontrou efeito do sucesso profissional sobre a autoestima, e outra mostrou que, na maioria dos estudos avaliados, perder peso também não aumentou a autoestima.
Alguém pode ser bem-sucedido, bonito e rico e continuar inseguro. Por isso, a psicóloga sugere olhar para outros sinais.
- Pessoas seguras levam o outro em conta
Quem é seguro se vê como alguém de valor e vê os outros da mesma forma. Em vez de ganhar à custa de alguém, procura soluções em que os dois lados saiam bem e considera as necessidades de todos. No trabalho, é o colega que não precisa diminuir ninguém para mostrar o próprio resultado. - Elas não perdem o controle das emoções
Por terem uma saúde mental mais estável, diz Franco, pessoas seguras se deixam dominar menos pelas emoções. Elas tendem a não explodir nem a se fechar diante de um problema, e essa estabilidade faz quem está por perto se sentir seguro também. - Elas não mudam para agradar
Pessoas seguras se perguntam mais como expressar quem são do que se são boas o bastante para os outros. Sabem que nem todo mundo vai gostar delas e convivem bem com isso. Como não seguem toda tendência, muitas vezes têm um estilo próprio, mesmo que destoe do resto. - Elas admitem quando erram
Segundo a psicóloga, quem é seguro consegue cometer um erro sem se sentir um fracasso. Como não carrega tanta vergonha das próprias falhas, assume a responsabilidade pelo efeito que causou nos outros, sem culpar a situação nem minimizar o problema. Quanto mais segura a pessoa, menos defensiva ela fica. - Elas reconhecem quando se sentem inseguras
O último sinal parece um paradoxo. Pessoas seguras também sentem ansiedade, raiva e vulnerabilidade, mas aceitam essas emoções sem vergonha. Para Franco, sentir-se forte não torna ninguém superior, e sentir-se fraco não torna ninguém inferior.
Na prática, segurança talvez dependa menos de nunca duvidar de si e mais do que se faz quando a dúvida aparece.
Inteligência emocional também se treina
Lidar com as próprias emoções, admitir erros e considerar o outro em situações de pressão não depende só de temperamento. São habilidades que podem ser desenvolvidas com prática.
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