Fazer o básico virou pouco: as 4 características que as empresas em ascensão buscam em candidatos

Fundador da Entrepreneurs’ Organization, Verne Harnish lista vontade, valores, resultados e habilidades, nessa ordem

Chegar no horário, entregar no prazo e se dar bem com os colegas já não basta para chamar a atenção de quem contrata. Para Verne Harnish, fundador da Entrepreneurs’ Organization (EO), as empresas que estão prosperando procuram profissionais que gerem valor muito acima do próprio salário e avaliam quatro características no recrutamento: vontade, valores, resultados e habilidades.

As ideias estão em Super Players, livro que Harnish escreveu com Kevin Daum e Anne Mary Ciminelli e que chegou às livrarias americanas nesta semana. Autor de Scaling Up, best-seller sobre crescimento de empresas, Harnish criou a EO, rede que hoje reúne mais de 18 mil empreendedores no mundo.

O ‘adequado’ que deixou de ser suficiente
O ponto de partida do livro é um desencontro. A maioria dos profissionais acredita ser razoavelmente valiosa para a empresa e se vê a caminho de salários melhores e promoções. As empresas, muitas vezes, pensam diferente.

Numa sondagem informal com líderes, Harnish levantou o perfil médio dos funcionários que eles gostavam e recontratariam: pessoas que comparecem, cumprem os requisitos mínimos, resolvem questões básicas, entregam no prazo e no orçamento, fazem o que foi pedido, convivem bem com todos e não causam problemas.

Nas melhores organizações, segundo ele, esse conjunto é só o padrão da adequação. Mantém a empresa funcionando, mas não a coloca à frente da concorrência, sobretudo num ambiente em que a adaptabilidade passou a definir quem lidera.

O efeito ‘uau’
O profissional que as empresas disputam é o que arranca dos líderes frases como “Uau, isso ficou melhor do que eu faria” ou “Uau, eles superaram nossas expectativas”. Harnish chama esse perfil de Super Player.

Na avaliação dele, as melhores companhias preferem ter menos gente, mais bem paga e mais preparada, a manter equipes grandes de baixo valor agregado. Por isso, cada atitude no trabalho funciona como uma espécie de audição para cargos maiores.

O que os empregadores procuram, mesmo sem dizer, é inteligência em ação: gente capaz de perceber padrões, dar coerência ao trabalho e fazer os sistemas avançarem.

As quatro características, em ordem de importância

  1. Vontade. É o desejo de se destacar, agir com coragem, perseverar, aprender e inovar. “Sem uma vontade forte, nada mais vai acontecer, e nada mais vai importar”, escreve Harnish.
  2. Valores. São as regras culturais que orientam como as pessoas agem e decidem dentro de uma empresa. O profissional precisa estar disposto a jogar com essas regras e se sentir confortável com elas, sabendo quando segui-las, flexibilizá-las e promovê-las.
  3. Resultados. Motivação e valores compartilhados perdem efeito se a pessoa não entrega as metas esperadas. No resumo do autor, fracassar não pode ser uma opção de longo prazo.
  4. Habilidades. As empresas querem quem desenvolva sozinho as próprias competências técnicas e comportamentais e se adapte rápido. Quem espera ser ensinado, diz Harnish, vira um peso e desacelera o crescimento da empresa.

As habilidades que não vencem
Na quarta característica, Harnish faz uma distinção. As competências técnicas precisam ser atualizadas a cada três a cinco anos. As que mais importam, em qualquer setor ou país, são humanas.

A primeira é a observação: perceber padrões e anomalias ao redor e saber pesquisar o que ainda falta aprender. A segunda, a comunicação com chefes, pares e equipes, transmitindo informação e emoção para mover o time. A terceira, a adaptação, que inclui deixar de ser o próprio obstáculo e liderar outras pessoas para que o grupo vá além do que alguém faria sozinho.

Num mercado imprevisível, conclui o autor, só uma coisa está sob controle de qualquer profissional, seja qual for o cargo: a forma como ele se apresenta.

Fonte exame
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