O assassinato do motorista de transporte escolar Adriano de Jesus, 50 anos, por causa de uma vaga de estacionamento na rua, abalou Samambaia e repercutiu em todo o Distrito Federal em 2025. Mais de um ano depois, o caso voltou ao centro das atenções com o julgamento de Francisco Evaldo de Moura, 56, condenado a penas que somam 25 anos e dois meses de prisão pelo homicídio de Adriano e pela tentativa de homicídio contra o filho dele, Gabriel Ferreira Gomes. A sentença foi anunciada na madrugada dessa sexta-feira, após mais de 15 horas de julgamento no Tribunal do Júri de Samambaia.
Francisco aguardou preso por um ano, oito meses e 10 dias. Após a condenação, o juiz negou o direito de recorrer em liberdade. Segundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), a defesa poderá apresentar apelação no prazo de cinco dias corridos, contados a partir da intimação da sentença.
Dezoito testemunhas, entre acusação e defesa, foram arroladas no processo. Os promotores Tiago Dias Maia e Marcelo Leite representaram o Ministério Público. Quatro advogados atuaram como assistentes de acusação, enquanto outros seis integraram a equipe de defesa de Francisco.
O advogado da família, Marcos Akaoni, sublinhou o impacto do crime. “Por trás de cada processo existem vidas, histórias, sonhos interrompidos e familiares que jamais voltarão a ser os mesmos. Nenhuma condenação será capaz de trazer Adriano de volta. Nenhuma sentença apagará o sofrimento ou devolverá os momentos que foram brutalmente arrancados de sua família. Mas acreditamos que a Justiça, quando realizada, pode representar um pequeno alento para aqueles que convivem diariamente com a dor da perda”.
O crime ocorreu em 6 de fevereiro do ano passado. Adriano, conhecido como Tio Adriano, era motorista de transporte escolar e foi morto a tiros em frente à própria casa. Na ocasião, Gabriel também foi alvo dos disparos, mas sobreviveu.
Francisco foi condenado a 17 anos de prisão pelo homicídio de Adriano, cinco anos pela tentativa de homicídio contra Gabriel e mais três anos e dois meses pelo porte ilegal de arma de fogo.
Insatisfação
Ao Correio, Elaine de Cássia Ferreira, viúva de Adriano, afirmou que considerou a pena insuficiente. Para ela, apesar da excelente atuação da promotoria e dos advogados da família, a condenação não foi capaz de amenizar o sofrimento. “Queremos entrar com recurso para aumentar a pena.”
Elaine relatou que continua enfrentando crises de ansiedade e lamentou a falta de assistência à família após o crime. Ela contou que a morte do marido, principal responsável pelo sustento da casa, provocou dificuldades financeiras. “Eu pensei que, a partir da condenação, ia acalmar meu coração, mas não. Continuo com crises de ansiedade. Não houve nenhum suporte psicológico e financeiro”, desabafou.
Gabriel também falou sobre a dor da perda. “Uma frase que o promotor usou e que realmente remete ao que a gente sente é que a família dele (Francisco) ainda pode visitar, pode ir lá ver ele, mas meu pai não volta. A pena que meu pai tomou foi perpétua”, disse. “Ver ele no julgamento me trouxe angústia, por tudo que esse homem fez a nossa família passar”, acrescentou.
O MPDFT recorrerá da sentença ao TJDFT para aumentar a pena. O Correio tentou contato com a defesa de Francisco, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Fonte Correio Braziliense
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