Transmissão da covid-19 volta a subir no DF; entenda os motivos

Segundo especialistas, há a possibilidade do surgimento de uma nova cepa do vírus

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Um homem segura uma máscara de respirador PFF2 na fábrica da Delta Plus em Socorro, estado de São Paulo, Brasil, 3 de março de 2020. Foto tirada em 3 de março de 2020. REUTERS / Rahel Patrasso

Mais uma vez, a taxa de transmissão R(t) da covid-19 no Distrito Federal voltou a subir e está próxima de 1, o que significa que os brasilienses estão mais suscetíveis à contaminação. Ontem, o índice fechou em 0,95, segundo os dados da Secretaria de Saúde (SES), e se manteve estável desde quarta-feira (5). Há uma semana atrás o número marcava 0,90 e subiu 0,05 pontos desde então.

No início dessa semana, a taxa estava em 0,96, passou para 0,95 e se manteve estável até o momento. De acordo com o médico infectologista Dalcy Albuquerque, se a taxa de transmissão chegar a marca de 1, isso significa que o DF terá um crescimento da pandemia. O especialista contou ao Jornal de Brasília que o motivo desse aumento no índice pode vir de vários fatores, como a possibilidade do surgimento de uma nova cepa, que ainda pode ser desconhecida.

No início dessa semana, a taxa estava em 0,96, passou para 0,95 e se manteve estável até o momento. De acordo com o médico infectologista Dalcy Albuquerque, se a taxa de transmissão chegar a marca de 1, isso significa que o DF terá um crescimento da pandemia. O especialista contou ao Jornal de Brasília que o motivo desse aumento no índice pode vir de vários fatores, como a possibilidade do surgimento de uma nova cepa, que ainda pode ser desconhecida.

“Não tenho dados para confirmar isso, mas é uma possibilidade. Também não podemos esquecer que as pessoas podem sim ter covid mais de uma vez, então o que pode estar acontecendo é o aumento da circulação do vírus em pessoas vacinadas, já que, mesmo com quatro doses as pessoas podem voltar a ter doença”, explicou. Entretanto, ele ressalta que isso não significa que os infectados terão complicações, porque já existe um grande número de pessoas imunizadas na cidade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as variantes consideradas perigosas são aquelas que apresentam aumento da transmissibilidade e da virulência, além de mudanças na apresentação clínica ou diminuição da eficácia das vacinas e tratamentos disponíveis. Até hoje, o Distrito Federal e outros estados do país já enfrentaram três dessas variantes: a alfa, que chegou em setembro de 2020; a delta, que foi identificada em julho de 2021, e a ômicron, que preocupou a população em dezembro de 2021.

“Com as vacinas que temos hoje, temos uma considerável estabilização do número de casos graves e mortes reduzindo bastante. Isso é uma boa notícia”, pontuou Dalcy. As avaliações da Secretaria de Saúde confirmam essa declaração: entre 4 de agosto e 29 de setembro deste ano a capital federal passou por um período livre das notificações de óbito. A sequência foi quebrada no dia 30 de setembro, quando um (1) óbito apareceu no boletim da pasta, e desde então não houveram demais registros de morte em decorrência do vírus.

Enquanto no DF o número de mortes vem caindo, no Brasil, a média móvel de óbitos aumentou. Nessa quarta-feira (5) a média dos últimos sete dias ficou em 95 e ontem, chegou a 104. Na quarta foram registradas 109 mortes pela doença e na quinta-feira (5), 133, ou seja, um aumento de 24 casos num período de 24 horas. O Brasil já contabiliza mais de 34 milhões de casos e 686.706 óbitos desde o início da pandemia.

Na capital da república, o último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde não registrou óbitos ocorridos ou notificados nas últimas 24 horas, no entanto, surgiram 58 novos casos da doença nessa quinta-feira (6), o que resulta em 15 casos a mais que o registrado no levantamento do dia anterior. Aqui no DF, 839.412 pessoas já se contaminaram com a covid-19 desde o início da pandemia e 11.831 vieram a óbito.

Para Dalcy Albuquerque, o governo não deve tomar medidas concretas como as que já foram aplicadas anteriormente, em exemplo do lockdown, porque com o avanço da imunização o risco de casos graves e mortes é bem menor. Na opinião do médico, o recomendado para essa situação é que a gestão organize campanhas que informem a população sobre o risco de infecção para que todos possam seguir os devidos cuidados. “Ninguém está livre de evoluir para um quadro grave, mas as pessoas que não tem comorbidades têm um risco sensivelmente menor”, concluiu.

Em contrapartida, a Secretaria de Saúde afirmou à reportagem que o DF tem apresentado taxa de transmissão menor que 1 desde o dia 4 de julho de 2022 e destacou que esse índice não é o único indicador utilizado para a definição do cenário epidemiológico. “É essencial avaliar em paralelo a média móvel de casos e de óbitos, o percentual de positividade, o número de casos ativos, entre outros indicadores. A pasta destaca que todas as medidas tomadas para combate ao Coronavírus são baseadas em avaliações de especialistas, critérios científicos e dados técnicos”.

A região que acumula mais casos de covid é o Plano Piloto, com 103.983 casos, seguido por Ceilândia, com 77.426. As faixas etárias com maior incidência de casos registrados são a de 40 a 49 anos e a de 80 anos ou mais. Com relação ao local de residência do total de casos, 88,9% foram identificados no DF e 6,2% em outras unidades federativas. Mais de 827 mil pessoas já se recuperaram da doença.

A maior parte dos contaminados são mulheres, que somam 56,1% do total de casos. Os homens somam 43,9% dos casos. Entre os profissionais de saúde foram contabilizados 44,5%. No que diz respeito às comorbidades, mais da metade dos infectados enfrentavam a cardiopatia (50,4%), seguido dos distúrbios metabólicos (31,5%) e pneumopatia (15,9%).

Leitos de UTI

Até a tarde de ontem, a taxa de ocupação de leitos de UTI na rede pública marcava 16,67%, porcentagem bem menor do que a observada no mesmo dia da semana passada, quando estava em 63,33%. Atualmente existem 25 unidades vagas e 20 que aguardam por liberação. Até a publicação dessa matéria, os dados referentes à ocupação dos leitos na rede privada estavam aguardando atualização.

Vacinação

Para que a proteção contra o vírus seja ainda mais consistente, o infectologista Dalcy aconselha que todos procurem a imunização: “A vacina está disponível, todas as pessoas devem se vacinar e tomar o reforço. As faixas etárias que estão sendo contempladas devem tomar essa iniciativa, por exemplo, um pai tem que se vacinar e dar o mesmo direito ao filho dele de se proteger de uma doença com potencial grave”.

A SES já aplicou 7.072.859 doses de vacina desde o início da campanha, com isso, 89,10% da população está imunizada com a primeira dose ou dose única, 84,10% com a segunda dose, sendo que mais de 1,4 milhão pessoas já tomaram a dose de reforço e mais de 580 mil tomaram o segundo reforço. A vacinação continua em andamento na capital federal, com a oferta da vacina infantil, primeira dose, segunda dose, dose de reforço, segundo reforço e vacinação por drive-thru (somente para adultos).

Por FolhaPress via Jornal de Brasília com informações de PH Paiva

Foto: REUTERS / Rahel Patrasso / Reprodução Jornal de Brasília