Dengue: Distrito Federal terá Plano de Enfrentamento à doença

Com aumento dos casos de dengue em todas as regiões do DF, a chefe da pasta, Lucilene Florêncio, antecipou ao Correio as iniciativas de combate à proliferação do mosquito Aedes Aegypti

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Para combater o aumento dos casos de dengue desde o fim de ano passado, a secretária de Saúde do Distrito Federal, Lucilene Florêncio, anunciou ao Correio que irá divulgar, na próxima segunda-feira (8/1), um Plano de Enfrentamento da dengue e outras arboviroses (como chikungunya e zika), para valer de 2024 a 2027.

Será realizada uma reunião no Palácio do Buriti com todos os administradores regionais do DF, secretários de Governo, de Educação, e representantes do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Defesa Civil do DF (DCDF) e Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF) para tratar das ações de combate, com uso de fumacê, visitas na casa das pessoas e campanhas educativas.

Aumento da incidência de casos em dezembro

O plano veio à tona em um momento preocupante para o DF. A Subsecretaria de Vigilância à Saúde (SVS) registrou aumento da incidência de dengue de 6 a 23 de dezembro em todas as regiões administrativas (RAs). Brazlândia e Recanto das Emas, por exemplo, foram classificadas como locais de alta incidência, com 516,93 e 370,26 casos por 100 mil habitantes, respectivamente.

Ceilândia, Vicente Pires, Taguatinga, Samambaia, Gama, Sobradinho, Lago Sul, Estrutural, Cruzeiro, Varjão e São Sebastião estavam com incidência média, o que representa uma taxa de incidência entre 100 e 299,9 casos por 100 mil habitantes. As demais RAs apresentaram incidência baixa, com menos de 100 casos por 100 mil habitantes.

Entre 2 de janeiro e 31 de dezembro, houve 11 óbitos. Nos mesmos documentos de 2023 — com registros de 1º de janeiro a 30 de dezembro —, houve 9 mortes, o que significa uma diminuição de 18%.  Os casos notificados também diminuíram. Entre os anos de 2022 e 2023, a queda foi de 82,7 mil para 46,4 mil, número ainda considerado alto por especialistas ouvidos pela reportagem.

“Temos os acumuladores e carroceiros que despejam lixo de forma inadequada, por exemplo. Precisamos acabar com essa história de descartar lixo em qualquer lugar. Isso prejudica o trabalho da vigilância ambiental, que precisa entrar na casa das pessoas e intensificar a questão dos cuidados na volta às aulas, em fevereiro”, afirma a secretária de Saúde, Lucilene Florêncio.

A chefe da pasta adianta que, a cada três dias, equipes de fumacê vão passar com 38 carros de Ultra Baixo Volume (UBV) em algumas regiões em situação de vulnerabilidade. Os veículos vão passar soltando a fumaça das 4h às 6h e das 17h às 19h.

Lucilene acrescenta que determinou o uso de 40% da força de trabalho das 178 unidades de saúde para atuar no combate ao mosquito Aedes Aegypti. “A dengue abrange todas as camadas sociais, mas não é uma guerra que não possa ser enfrentada e vencida. A gente pede esforço coletivo”, completa.

Por Pedro Ibarra, Pedro Marra do Correio Braziliense

Foto: SHINJI KASAI / COURTESY OF SHINJI KASAI / AFP / Reprodução Correio Braziliense