Imunização contra covid-19 é recomendada nos primeiros meses da criança

Vacinação infantil é um ato de amor desde os primeiros dias de vida; calendário vacinal de rotina deve ser mantido atualizado

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Proteger a criança de doenças infecciosas desde os primeiros dias de vida. Esta é a principal finalidade da vacinação. A partir dela, o organismo do recém-nascido passa a produzir anticorpos que vão protegê-lo contra inúmeras enfermidades. Ao longo da vida, é necessário, ainda, complementar as doses iniciais com algumas doses de reforço para a manutenção da imunidade celular.

Atualmente, o Calendário Nacional de Vacinação abrange 19 imunizantes de rotina, disponibilizados nos serviços de saúde e contemplam diferentes grupos populacionais, desde crianças a idosos, defendendo contra mais de 20 doenças. A mais recente atualização, implementada neste ano pelo Ministério da Saúde, incluiu a aplicação de doses contra covid-19 em crianças, com a primeira imunização aos seis meses, a segunda aos sete e a terceira, aos nove meses de idade.

No primeiro ano de vida, a criança recebe a maior parte das vacinas, pois o sistema imunológico está em formação e não produz os próprios anticorpos, tornando-o vulnerável a várias doenças infecciosas.

Antes mesmo do nascimento já é possível iniciar essa proteção. “Um exemplo é a vacina dTpa [tríplice bacteriana acelular], que a gestante pode tomar a partir da 20ª semana, contra difteria, tétano e coqueluche”, explica a gerente substituta da Rede de Frio, Karine Castro. Ainda no ventre materno, o bebê recebe anticorpos da mãe por meio da placenta.

Meta nacional

Por ser uma prática de saúde preventiva, que confere imunização duradoura, a vacinação é essencial para impedir a circulação de vírus e bactérias que causam doenças graves como sarampo, pneumonia, meningite, rubéola, hepatite, varicela (catapora), gripe (influenza), entre outras.

Além das doses de rotina, as doses disponibilizadas nas campanhas de vacinação reduzem complicações, internações e mortalidade decorrentes de infecções, principalmente entre a população-alvo determinada pela ação. “O Brasil tem um dos melhores programas de imunização do mundo. A vacinação, como estratégia de saúde preventiva, foi responsável pela diminuição do número de casos de doenças imunopreveníveis e da mortalidade infantil no país”, lembra Karine Castro.

Apesar disso, no âmbito infantil, as quatro principais vacinas, que têm meta de cobertura de 95% para menores de um ano, estão com adesão abaixo do índice estipulado. São elas: pentavalente (cobertura de 81,6%), poliomielite (81,5%), pneumo 10 (82,3%) e tríplice viral (89,5%). A vacina rotavírus também apresenta um número inferior: 78,5%.

Com níveis ainda mais baixos, a cobertura de influenza infantil está em 55,9%. Já contra a covid-19, na faixa etária de 6 meses a 2 anos, a cobertura da D1 é de 19,5% e de D2, 12,3%. Já entre os 3 e 4 anos, a cobertura da D1 é de 31,8% e de D2 é de 19,6%. Dos 5 até os 11 anos, a taxa de cobertura para D1 é de 74,2%, da D2 é de 57,4%; e da dose de reforço é de 14,2%.

Visita especial

Como uma das estratégias para mudar o cenário da cobertura vacinal no DF, a Secretaria de Saúde (SES-DF) promoveu em outubro um concurso nas redes sociais. As crianças que tivessem seu cartão de vacina completo poderiam concorrer a uma visita do Zé Gotinha em sua escola. O sorteado foi Enzzo Ferreira Fagundes, de 11 anos.

Ele e as outras crianças que participaram da campanha foram convidados ainda a visitar a “Casa do Zé Gotinha”, mais conhecida como Rede de Frio Central, onde ficam armazenados todos os estoques de imunizantes. À época, no tour, ao lado do ícone da vacinação, pais e crianças viram de perto como funciona o local e como são guardados os imunobiológicos. “Eu gostei muito de visitar a Casa do Zé Gotinha. Foi bem legal ver as vacinas e como elas ficam guardadas”, avaliou Enzzo durante a visita.

Sua mãe, Lídia Fagundes Santana, de 33 anos, defende a imunização, pois acredita que só por meio dela as crianças estão protegidas contra diversas doenças. “Eu cresci sendo levada para tomar vacina. Meus pais sempre me levaram e com os meus filhos não seria diferente. É uma picadinha de amor e de cuidado”, relatou. Lídia pegou covid-19 durante a gravidez do filho caçula, Lucca, de 1 ano e 8 meses, e acredita que, se não fosse o imunizante, a gestação poderia ter tido um desfecho ruim.

Ana Clara Pereira, de 9 anos, e Gabriel Castro, de 7, adoraram a visita. Eles acharam que nunca teriam a chance de conhecer a Rede de Frio bem ao lado do Zé Gotinha. “Não pensei que tivesse tantas vacinas aqui”, afirmaram.

Damiana Santos, mãe de Ana Sofia, de 8 anos, informa que durante sua gravidez prestou bastante atenção à caderneta de vacina, pois sempre confiou na imunização precoce como meio eficaz de proteger o corpo. “Quando levo minha filha para tomar alguma vacina tenho certeza que estou cuidando da saúde dela e sinto que é também uma prova de amor. O mais importante é que ela vai ficar segura e protegida.”

Coletividade

Ao se vacinar, o indivíduo contribui para diminuir os casos de determinada doença em toda uma comunidade. A medida é a mais eficaz para proteger a população de doenças imunopreveníveis, que podem causar complicações, deixar sequelas e ocasionar óbito.

Para a pediatra do Centro de Referência Interdisciplinar em Síndrome de Down (CrisDown), Moema Arcoverde, comentar sobre imunização enquanto médica é agradecer à Ciência pela evolução de sua trajetória bem-sucedida no Brasil, iniciada ainda no século XIX. “Na prática profissional, todos os dias constatamos os benefícios da imunização na prevenção das doenças, além de reduzir complicações daquelas que não foram evitadas. São evidências robustas, portanto, indiscutíveis”, defende.

*Com informações da SES-DF

Por Agência Brasília

Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF / Reprodução Agência Brasília