Após obra concluída, burocracia trava inauguração do crematório de Brasília

O serviço de cremação no Distrito Federal é um projeto que se arrasta por anos e, apesar de a obra ter sido concluída, não há previsão para inauguração. Concessionária alega questões administrativas para liberação do funcionamento

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Mesmo sendo a terceira cidade mais populosa e a capital do país, com quase 3 milhões de habitantes, Brasília não tem um crematório. É uma novela que se arrasta há anos. Em abril de 2022, a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) chegou a anunciar a inauguração do serviço no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul, mas, até hoje, a promessa não saiu do papel e não há data prevista.

Questionada pelo Correio, a Campo da Esperança Serviços Ltda, concessionária responsável pela gestão dos cemitérios do Distrito Federal, disse que ainda não é possível estipular um prazo para o início do funcionamento do crematório de Brasília. O forno-crematório, que já se encontra instalado no espaço destinado para o serviço no cemitério da Asa Sul, passa por ajustes técnicos para que a operação seja autorizada. Um segundo teste de queima está previsto para a segunda quinzena de fevereiro.

Ainda de acordo com a concessionária, após a conclusão de todos os ajustes e testes necessários para o perfeito funcionamento do forno, a empresa enviará ao Instituto Brasília Ambiental (Ibram) um laudo técnico para análise e, se aprovado, concluir o processo de instalação. O passo seguinte será a obtenção da licença de operação. Outra pendência é a definição dos preços dos serviços, que estão em negociação entre a concessionária e o Governo do Distrito Federal (GDF).

Sem data

A obra do crematório de Brasília foi concluída em novembro de 2023. O espaço, que tem 800 metros quadrados, fica ao lado da entrada principal do Campo da Esperança da Asa Sul. O edifício tem sala de despedida com capacidade para 40 pessoas, câmara fria que pode armazenar até seis urnas funerárias, um forno-crematório, uma sala de resíduos (para descarte de materiais como luvas e aventais dos funcionários, e itens que não serão incinerados, como flores) e um banheiro com acessibilidade.

De acordo com a concessionária, cada queima durará cerca de duas horas, o que resultaria na capacidade de até 12 cremações diárias. No entanto, na prática, o limite será reduzido em virtude do horário de funcionamento, porque não há previsão, até o momento, para cremações noturnas. Além disso, há a necessidade de resfriamento do equipamento após um período em atividade.

Ainda não há uma previsão para a inauguração do serviço, devido às exigências para a liberação do funcionamento. Segundo a concessionária, o forno-crematório foi adquirido em 2020 e o investimento, até o momento, foi de cerca de R$ 3,5 milhões. O equipamento funciona com gás liquefeito de petróleo (GLP), mas não é possível, no momento, estipular a quantidade usada em cada cremação. Cada procedimento ocorre, em média, a 1.600°C.

Deslocamento

Atualmente, familiares de mortos do DF que desejarem cremar o corpo de seus entes queridos devem recorrer a serviços oferecidos em cemitérios do Entorno. O militar da reserva Helder Ferreira, 55 anos, perdeu a esposa há três anos. À época, a família decidiu que o corpo dela seria cremado, como forma de não precisar visitar o cemitério periodicamente e economizar nos custos. O velório ocorreu em uma das capelas do Campo da Esperança da Asa Sul, mas a cremação foi em um cemitério de Formosa (GO). “Acabamos que não fomos para a cremação e um dos motivos foi a grande distância que teríamos que percorrer até lá”, lembra Ferreira.

Por Naum Giló do Correio Braziliense

Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press / Reprodução Correio Braziliense