Análise: Eduardo Bolsonaro atrapalha estratégia da direita para 2026 em SP

Segundo análise de Pedro Venceslau, ao CNN 360º, ex-deputado, mesmo morando nos EUA, tumultua a direita ao tentar impor nome para disputa pelo Senado em São Paulo, contrariando engenharia política local

A estratégia da direita para disputar o Senado Federal por São Paulo nas eleições de 2026 enfrenta turbulências causadas por Eduardo Bolsonaro, mesmo estando ele nos Estados Unidos sem previsão de retorno ao Brasil. A análise é de Pedro Venceslau, ao CNN 360º.

O ex-deputado continua tumultuando o campo da direita ao tentar impor o nome do deputado estadual Gil Diniz para a disputa, contrariando uma engenharia política que já estava sendo articulada pelo governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas.

“Parecia que estava tudo bem resolvido na disputa pelo senado em São Paulo no campo da direita. Toda aquela engenharia política costurada pelo governador Tarcísio Gomes de Freitas com os partidos que fazem parte da sua base estava toda bem amarradinha – isso porque […] dentro dessa engenharia Guilherme Derrite é a prioridade”, explicou Venceslau.

A estratégia original previa Guilherme Derrite, atual secretário de Segurança Pública que se afastou e retornou à Câmara dos Deputados, como candidato prioritário ao Senado pelo PP. A segunda vaga, que originalmente seria de Eduardo Bolsonaro, caberia ao PL (Partido Liberal) dentro dessa engenharia política.

Disputa interna no PL

Para esta vaga do PL, surgiram diversos nomes em discussão. A deputada federal Rosana Valle ganhou força com o apoio de Michele Bolsonaro, presidente do PL Mulher, e tinha simpatia do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto.

Porém, o Palácio dos Bandeirantes e o entorno do governador Tarcísio preferem uma chapa composta por dois nomes competitivos, cogitando Ricardo Salles, atualmente no Partido Novo – “essa também é a chapa dos sonhos do entorno do próprio Derrite”, apontou o analista, “Só que Ricardo Salles está no Novo e não topa migrar para o PL”.

Outros nomes que apareceram na disputa incluem Marco Feliciano, Ricardo Melo Araújo e até Renato Bolsonaro, irmão de Jair Bolsonaro. No entanto, Eduardo Bolsonaro, de longe, tenta impor Gil Diniz, seu ex-assessor e aliado leal que recentemente o visitou nos Estados Unidos, mas que não é considerado pelos caciques da direita paulista um nome competitivo para a disputa pelo Senado.

“Então, já gerou uma divergência, já gerou ruído e já gerou mais uma vez problemas entre os aliados do governador Tarcísio Gomes de Freitas”, concluiu Pedro Venceslau.

Divisão que favorece a esquerda

Essa divisão no campo da direita pode prejudicar as chances eleitorais do grupo, incluindo o próprio Guilherme Derrite, considerado a prioridade do governador. Enquanto isso, no campo da esquerda, ligado ao presidente Lula, já há quem defenda o lançamento de apenas um candidato ao Senado, em vez de dois, para evitar a divisão de votos.

Venceslau lembrou o precedente da eleição que elegeu o senador Major Olímpio em São Paulo, quando Eduardo Suplicy era o nome principal da esquerda, mas acabou perdendo porque muitos eleitores fizeram voto útil em Mara Gabrilli para evitar a eleição de Major Olímpio. No final, Major Olímpio e Mara Gabrilli foram eleitos, deixando Eduardo Suplicy de fora.

Por Por Brasília
Fonte CNN Brasil
Foto: CNN