Motorista de app denuncia importunação sexual em saída de evento no DF

Caso ocorreu no Setor de Clubes Sul e acende alerta para abordagens e assédios recorrentes contra condutores na capital

O motorista de aplicativo Leandro Marques Máximo, de 37 anos, denunciou ter sido vítima de importunação sexual na madrugada de domingo (30/8), por volta das 5h, na saída de um show no Setor de Clubes Sul. Na ocasião, ao fim de um evento que acontecia na região, um passageiro que pretendia ir para Samambaia propôs realizar sexo oral no motorista como forma de pagamento pela viagem.

Diante da recusa de Leandro, o suspeito cancelou a corrida e embarcou em outro veículo. Um boletim de ocorrência por importunação sexual foi registrado pelo motorista na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), e o caso segue sob investigação.

Ao Correio, Leandro relatou que, no momento do ocorrido, o fluxo na saída do evento já estava baixo e ele aguardava na área de dispersão de pedestres. Ele avisava colegas via rádio que logo deixaria o local, quando foi abordado pelo homem. O passageiro sugeriu realizar a viagem pelo aplicativo 99, na categoria Pro — destinada a carros 100% elétricos, como o de Leandro —, com valor estimado em R$ 151. O condutor aceitou fazer o transporte pela plataforma, mas foi surpreendido logo em seguida.

Conforme registrado pela câmera de segurança interna do veículo, o suspeito apresentou uma oferta de cunho sexual. “Eu falei que levaria, e ele perguntou se eu faria pelo aplicativo no valor de R$ 151. Eu falei ‘bora’. Aí ele falou: ‘Não, mas eu tenho uma proposta: eu quero te mamar’”, explicou a vítima sobre a abordagem.

Visivelmente constrangido, Leandro recusou prontamente a investida respondendo: “Aí não, ‘tô’ de boa. É uma desgraça mesmo”. Após a negativa, o passageiro se afastou e continuou tentando solicitar um veículo pela aplicação. O chamado chegou a tocar novamente para o motorista, desta vez com o valor atualizado de R$ 87.

Ele aceitou, mas o passageiro cancelou a solicitação e acabou embarcando em outro carro que atendeu ao chamado de uma distância maior. O condutor ressaltou que não sabe o que aconteceu depois do embarque ou se o homem voltou a importunar o colega de trabalho.

Rotina de assédio

A denúncia de Leandro traz à tona um problema recorrente vivenciado pela categoria no DF. À reportagem, o trabalhador enfatizou que a exposição a abordagens desse tipo faz parte da rotina diária dos profissionais: “De 10 motoristas, 11 já sofreram abuso sexual, seja ele dentro do carro ou via chat”.

“Comigo mesmo eu já perdi a conta, mas até então era via chat: a pessoa solicitava a corrida e, quando você estava em deslocamento, eles faziam a proposta propondo sexo oral ou relação sexual”, destacou o motorista.

Os motoristas da região mantêm grupos de segurança para troca de informações e identificação de perfis de passageiros que realizam essas investidas de forma sistemática. Entre as evidências compartilhadas — algumas cedidas à reportagem —, constam mensagens diretas de passageiros dizendo “‘Tô’ afim de mamar, topa? Sou novinho”, além de investidas pelo Instagram pós-corrida, com mensagens do tipo: “Queria muito te chupar e dar, curte não?”.

Leandro também relatou um episódio recente envolvendo um colega de profissão, no qual o passageiro abaixou a bermuda e começou a se masturbar dentro do veículo. Na ocasião, o condutor ficou sem reação até conseguir encostar o automóvel e pedir ajuda a um companheiro de grupo.

*Estagiário sob a supervisão de Patrick Selvatti

Fonte Correio Braziliense
Foto:  Reprodução/Freepik