A estabilidade de qualquer relação, seja ela íntima ou profissional, é baseada em uma proporção de cinco por um. É isso o que afirma John Gottman, pesquisador e psicólogo americano, em seu livro Why marriages succeed or fail, publicado em 1994.
De acordo com o especialista, para compensar cada interação negativa, é preciso outras cinco interações positivas. Ou seja: para cada crítica, são necessários cinco elogios.
Quando esse equilíbrio não é seguido, as relações entram em um processo de desgaste emocional. Isso significa que o cérebro começa a ignorar gestos positivos e interpretar eventos neutros como ataques ou ironias.
Quatro cavaleiros do modo reativo
E isso acontece também no ambiente de trabalho. Nas relações profissionais, é comum conversas sensíveis, cobranças, feedbacks ou pedidos com urgência. Além disso, o reconhecimento é pontual e quase não acontecem interações genuínas. O resultado é uma espécie de “conta bancária emocional no vermelho.”
Com o tempo, o impacto passa a ser cognitivo. O cérebro entra em estado de alerta contínuo, conhecido como vigilância difusa. Nesse modo, comentários neutros passam a soar como críticas e até gestos simples parecem carregados de ironia.
A partir disso, os “quatro cavaleiros” começam a manifestar no comportamentos:
Crítica vs. Reclamação
No trabalho, a crítica e a reclamação se confundem. Segundo o autor, a crítica carrega ataque pessoal, uma vez que se manifesta em frases como “você nunca cumpre prazos porque é desorganizado”. Por outro lado, a reclamação traz um fato relacionado à uma insatisfação como “o relatório não foi entregue”. A recomendação é usar essa diferença para se expressar da melhor maneira sem ataque ao outro.
Desprezo
O desprezo é descrito por Gottman como o mais destrutivo para as relações. Ele se manifesta através de sarcasmos, ironias e linguagem corporal. Dentro de uma equipe esse comportamento pode causar a sensação de exclusão ou até mesmo inutilidade.
Defesa
Ao contrário do desprezo , a defesa é um ato de autoproteção. O problema desse comportamento é que quem age assim se mostra como vítima e acredita que precisa se defender contra todos. A indicação para combater esse comportamento é reconhecer que, do mesmo modo que você faz parte de um problema, também fará parte da solução.
Recusa ao diálogo
O último cavaleiro citado no livro trata de uma resposta fisiológica do corpo, em que uma taquicardia causa um alto nível de estresse, resultando na perda da capacidade de processar informações. O recomendado para essas situações são pequenas pausas de 10 a 20 minutos, o tempo necessário para a recuperação do corpo e o retorno a um diálogo produtivo.
Relações saudáveis começam por dentro
Manter relações equilibradas não depende apenas do outro. Antes de tudo, passa pela forma como cada pessoa reconhece e regula as próprias emoções no dia a dia. Pequenos ajustes na maneira de reagir, ouvir e se posicionar são capazes de mudar a dinâmica de qualquer ambiente.
Desenvolver essa consciência emocional ajuda a interromper ciclos automáticos de defesa, crítica ou afastamento. Com mais clareza sobre gatilhos e padrões, torna-se possível escolher respostas mais construtivas, mesmo em contextos de pressão e desgaste.
Por Por Brasília
Fonte Exame
Foto: Anton Vierietin/ Getty Images













