Inteligência emocional: como sair do piloto automático em 4 passos, segundo especialista

Automatizar tarefas do dia a dia é natural, mas fazer o mesmo com emoções pode limitar decisões e reforçar padrões negativos

No cotidiano exaustivo é normal que certas coisas sejam ações automáticas para economizar a energia do cérebro. É automático calçar os sapatos e amarrar os cadarços ou parar no exato local onde o metrô ou o ônibus abrirá as portas. 

Muitas coisas que as pessoas fazem com frequência e não se dão conta. O risco, porém, está em automatizar respostas e decisões, deixar as emoções em piloto automático. É isso que a psicóloga Susan David explica em seu livro Agilidade Emocional. 

A autora afirma que a maioria das pessoas opera no piloto automático emocional na maior parte do tempo, reagindo a situações sem consciência ou vontade real. E isso tem levado à um estado que ela chama de rigidez emocional, que consiste em acreditar em pensamentos negativos como se fossem fatos, repetir comportamentos e crenças antigas que já não fazem sentido ou até mesmo reagir no impulso, sem espaço para escolha. 

Para combater essa automatização David propõe quatro etapas: 

  1. Aparecer 
    A autora diz que é necessário deixar os sentimentos aparecerem, para reconhecer e encarar pensamentos e sentimentos como eles são, sem fugir, evitar ou tentar silenciar o desconforto. Em vez de tratar emoções difíceis como um problema, a proposta é se aproximar delas com curiosidade e gentileza, entendendo que funcionam como sinais internos. 
  1. Desprender
    Criar distância entre você e aquilo que sente ou pensa. Ao invés de se confundir com a emoção, como se fosse uma verdade absoluta, você passa a observá-la como algo passageiro. Esse distanciamento abre o chamado “espaço entre estímulo e resposta”, onde surge a possibilidade de escolha. Nesse ponto é possível deixar de reagir automaticamente e passar a agir com mais consciência.
  1. Seguir seu porquê
    Susan Davis propõe criar direção para as escolhas, o foco deixa de ser o impulso ou a pressão externa e passa a ser os valores pessoais  aquilo que realmente importa a longo prazo. Ao se guiar por esse “porquê”, as decisões deixam de ser reativas e passam a refletir personalidade, criando mais coerência entre intenção e ação.
  1. Seguir em frente
    A última dica da autora é a aplicação prática de tudo isso no cotidiano. Em vez de buscar mudanças radicais, a ideia é implementar pequenos ajustes consistentes. São essas escolhas graduais que constroem novos padrões emocionais e fortalecem a resiliência, permitindo a evolução pessoal mesmo diante de dificuldades.

Assuma o controle das suas emoções
Se você percebe que muitas das suas reações no dia a dia acontecem no automático, talvez seja hora de desenvolver uma habilidade essencial para o seu crescimento: a inteligência emocional. Aprender a reconhecer o que você sente — sem fugir ou se julgar — é o primeiro passo para assumir o controle das suas decisões e construir uma trajetória mais consciente.

Foto: BrianAJackson/Thinkstock