Geração Alfa e inteligência emocional: os riscos de crescer com apoio da IA

Pesquisa mostra avanço do uso de IA como apoio emocional entre jovens e acende alerta sobre o desenvolvimento socioemocional

As crianças e adolescentes da Geração Alfa (nascidos de 2010 a 2025) são os primeiros a estarem totalmente imersos nas tecnologias desde o nascimento. São crianças que acreditam que o wifi e bluetooth sempre existiram, pois não conheceram uma realidade em que isso não era comum. 

No entanto, toda essa digitalização tem se tornado algo preocupante para o desenvolvimento psicossocial dessas crianças. 

Um levantamento realizado em 2025 mostra que cerca de 12% das crianças entre 9 e 17 anos usam inteligência artificial generativa para apoio emocional. A pesquisa Tic Kids Brasil realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação também revela que 92% das crianças e adolescentes brasileiros são usuários ativos da internet, no entanto apenas 44% dos pais e responsáveis afirmam conversar com os jovens sobre as atividades que eles realizam na internet.

A fragilidade do acolhimento sem consciência
Enquanto a tecnologia avança para oferecer assistentes virtuais cada vez mais convincentes, a capacidade humana de mediar esses conflitos diminui. Ao buscar apoio emocional em chatbots, o jovem entra em uma bolha de conforto emocional, pois a máquina não julga  acima de tudo, nunca discorda.

Isso pode acarretar na perda de habilidades socioemocionais, uma vez que a vida real exige empatia e debates diante de atritos para o desenvolvimento da maturidade. 

Diante desse cenário, a atualização da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) em 2026, com foco na Alfabetização Emocional, surge como uma medida de emergência. O objetivo é transformar a escola em um laboratório de humanidade. É necessário ensinar que, embora a IA possa processar dados e simular empatia, ela carece de consciência e de corpo.

Resgate a conexão real
Saber nomear o que se sente e entender que o desconforto faz parte do crescimento é o primeiro passo para que a Geração Alfa não se perca em algoritmos de recomendação que oferecem soluções rápidas para dores profundas.

O caminho para remediar esse problema é a mediação ativa de pais responsáveis com o uso de tecnologias. Algumas práticas podem ajudar a trazer a inteligência emocional para o dia a dia:

Curiosidade em vez de julgamento: Pergunte ao jovem o que a IA respondeu sobre um dilema e discuta se aquela resposta faria sentido na “vida real”.
O treino da frustração: Promova atividades onde o resultado não é imediato (como jogos ou culinária). Isso combate o imediatismo das respostas geradas por IA.
Validação humana: Mostre que, embora a máquina pareça gentil, apenas o humano é capaz de sentir empatia genuína, mesmo que isso inclua discordar e colocar limites.

Consciência em um mundo de algoritmos
Diante de uma geração que cresce cercada por respostas rápidas, desenvolver inteligência emocional passou a ser uma necessidade. Se queremos preparar jovens para lidar com frustrações, conflitos reais e relações humanas autênticas, esse processo começa pelos adultos, pais, educadores e profissionais que precisam primeiro aprender a reconhecer, nomear e gerenciar emoções em um mundo cada vez mais mediado por algoritmos.

Por Por Brasília
Fonte Exame
Foto: dolgachov/Thinkstock