Férias de julho aumentam procura por hotéis para pets no DF

Com mais famílias viajando durante o recesso escolar, estabelecimentos registram aumento na procura. Distrito Federal tem 837 mil animais de estimação, e associação estima faturamento em R$ 80 bilhões

As férias escolares de julho movimentam não apenas aeroportos e rodoviárias, mas também os hotéis para animais de estimação. Com muitas famílias viajando, a procura por hospedagem para cães cresce significativamente no Distrito Federal neste período, levando estabelecimentos a operarem próximos da capacidade máxima. Segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada (Pdad-A), do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), a capital federal concentra cerca de 837 mil animais de estimação, distribuídos em 679,7 mil domicílios, sendo os cães a maioria.

O aquecimento do setor acompanha uma tendência nacional. Levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e do Instituto Pet Brasil (IPB) mostra que o mercado pet movimentou R$ 77 bilhões em 2024, alta de 12,1% em relação ao ano anterior. A expectativa é de que o faturamento alcance R$ 80 bilhões até o fim de 2026.

À frente da Quintal Pet, na Asa Sul, a médica veterinária Fernanda Carballo afirma que julho está entre os períodos mais movimentados do ano. “As férias escolares são uma das épocas de maior procura pela hospedagem. Muitas famílias viajam e buscam um local seguro e acolhedor para deixar seus cães”, afirma.

Segundo ela, o perfil dos clientes mudou nos últimos anos. Se antes muitos procuravam apenas um local para deixar o animal durante a viagem, hoje a preocupação vai além. “Os responsáveis enxergam os pets como membros da família. Eles procuram segurança, acompanhamento profissional, transparência e querem saber como o animal está durante toda a estadia. A hospedagem deixou de ser apenas um espaço para o cão ficar e passou a ser uma experiência de bem-estar”, explica Fernanda.

Antes da primeira hospedagem, os animais passam por uma avaliação comportamental e precisam apresentar vacinação atualizada contra raiva, gripe canina e V8 ou V10, além do controle de pulgas, carrapatos e verminoses. A diária custa R$ 95 e inclui recreação, passeios e supervisão veterinária.

A procura também aumentou na Hotel Petnik, no Gama. Proprietária do estabelecimento há nove anos, Kesya Uhdre, 57, confirma que julho representa uma das épocas de maior movimento. “A partir das férias, aumentam as reservas. Já tenho várias programadas para as próximas semanas”, relata. O hotel recebe entre 12 e 15 cães por vez e, segundo ela, a demanda costuma crescer a partir da segunda quinzena do mês.

A empresária explica que o negócio familiar começou oferecendo banho, tosa e atendimento veterinário, mas precisou se reinventar durante a pandemia. “Como a hospedagem estava dando certo, levamos o hotel para nossa casa, que foi adaptada para receber os cães”, conta. Kesya diz que trabalhar com os animais também teve impacto na própria vida. “Depois que perdi meus pais, enfrentei uma depressão. Esse trabalho e o contato diário com os pets me salvaram.”

Ainda segundo ela, embora as férias sejam o principal motivo da procura, muitos clientes utilizam o serviço durante o ano para evitar que os cães passem o dia sozinhos. “Aqui trabalhamos exclusivamente com hospedagem. Os cães brincam, passeiam e recebem todos os cuidados enquanto os responsáveis estão ausentes”, explica. A diária custa a partir de R$ 80 e pode variar conforme a época do ano.

Foi buscando melhorar a qualidade de vida do vira-lata caramelo Pingo que a professora Yara Carla de Oliveira, 55, decidiu procurar o Quintal Pet. O animal desenvolveu ansiedade de separação depois que o filho dela passou a ficar menos tempo em casa. “Ele chorava, uivava e latia sempre que ficava sozinho. Tentamos brinquedos, adestramento e medicação, mas o problema continuava”, conta.

Após iniciar a rotina na creche, ela percebeu mudanças em poucas semanas. “Hoje ele é outro cachorro. Brinca, gasta energia e voltou muito mais tranquilo para casa. Antes bastava meu filho pegar a mochila que ele começava a chorar. Agora permanece calmo.”

Para a médica veterinária Clarissa Rocha, a hospedagem pode trazer benefícios importantes quando respeita o perfil do animal. “Quando ficam sozinhos por muitas horas, alguns cães desenvolvem ansiedade, estresse e tédio. Em hotéis sérios, eles permanecem sob monitoramento, interagem com outros animais, fazem atividades físicas e recebem acompanhamento constante”, explica.

Ela ressalta, porém, que nem todos os pets se adaptam da mesma forma. “Há cães bastante sociáveis, enquanto outros são mais reservados. Já os gatos costumam ser muito ligados ao território e, em muitos casos, sofrem mais com mudanças de ambiente. Nessas situações, pode ser melhor deixá-los em casa com um cuidador.”

A especialista recomenda que a adaptação seja gradual, com visitas prévias ao hotel e objetos familiares, como cama e brinquedos, para reduzir o estresse. Perda de apetite, agressividade, vocalização excessiva, vômitos e alterações no sono podem indicar dificuldade na adaptação.

A médica veterinária e professora da Universidade Católica de Brasília (UCB), Kássia Vieira, orienta que a escolha do estabelecimento deve ir além do preço. Segundo ela, é importante visitar o local, verificar as condições de higiene, confirmar a presença de um médico veterinário responsável e observar se o hotel exige carteira de vacinação, vermifugação e controle de parasitas.

“Quanto mais informações a equipe tiver sobre o animal, como doenças, medicamentos, alimentação e comportamento, mais individualizado será o cuidado. Isso reduz riscos e torna a hospedagem muito mais segura”, afirma. Para a especialista, planejamento, adaptação prévia e uma escolha criteriosa do estabelecimento ajudam a garantir férias tranquilas para os pets e seus responsáveis.

*Estagiário sob a supervisão de Tharsila Prates

Fonte Correio Braziliense
Foto: Davi Pereira/CB/D.A Press