Assumir a primeira posição de gestão costuma representar um avanço na carreira, mas também muda a natureza do trabalho. O profissional deixa de ser avaliado apenas pelo que entrega e passa a responder pelo desempenho de outras pessoas.
Uma pesquisa com quase 60% dos gestores de primeira viagem apontou a adaptação à gestão de pessoas e ao exercício da autoridade como um dos principais desafios da transição. O levantamento foi realizado pelo Center for Creative Leadership, organização de desenvolvimento de liderança.
- Continuar fazendo o trabalho da equipe
Um dos erros mais comuns é tentar resolver tudo sozinho. Para quem foi promovido por dominar uma área, executar uma tarefa pode parecer mais rápido do que orientar alguém a fazê-la.
O problema é que a função do gestor passa a incluir desenvolver pessoas, distribuir responsabilidades e acompanhar resultados. A orientação de especialistas ouvidos pela SHRM é que novos líderes conheçam as habilidades da equipe e deleguem atividades de acordo com elas.
Na prática, isso significa trocar o “deixa que eu faço” por perguntas como: qual é o objetivo da tarefa, que recursos são necessários e em que momento será feita a revisão?
Desenvolver a capacidade de liderar pessoas é parte da preparação para assumir responsabilidades maiores.
- Confundir autoridade com controle
Ao ser promovido, o profissional pode sentir que precisa demonstrar o tempo todo que está no comando. Isso pode aparecer em cobranças excessivas, decisões centralizadas ou dificuldade de ouvir a equipe.
A autoridade, porém, também depende de clareza, consistência e confiança. Quando a promoção envolve antigos colegas, é importante explicar as novas responsabilidades e estabelecer limites, sem abandonar o respeito nas relações.
Uma conversa individual com cada integrante da equipe pode ajudar a alinhar expectativas, entender dificuldades e definir como será a relação profissional dali em diante.
Para quem quer avançar na carreira, o próximo passo pode ser desenvolver competências que vão além da própria especialidade.
- Evitar conversas difíceis
Outro erro é adiar feedbacks, conflitos ou conversas sobre desempenho por receio de prejudicar o relacionamento com a equipe.
A Harvard Business Review destaca que dar feedback é uma habilidade que pode ser desenvolvida com prática. Para o novo gestor, o ponto de partida é tratar o problema com clareza, apresentar exemplos concretos e discutir os próximos passos.
Em vez de dizer apenas que um funcionário “precisa melhorar”, o gestor pode explicar qual resultado ficou abaixo do esperado, qual impacto isso teve e o que precisa mudar.
- Tomar decisões sem entender o negócio
Conhecer bem a própria área é importante, mas a gestão exige uma visão mais ampla. O novo líder precisa entender como as decisões afetam outras equipes, os clientes e os resultados da empresa.
Isso inclui acompanhar indicadores, compreender prioridades e relacionar o trabalho do time aos objetivos organizacionais. A visão de negócio ajuda a evitar decisões que resolvem um problema local, mas criam outro em outra parte da empresa.
- Achar que precisa aprender tudo sozinho
A promoção não significa que o profissional já domina todas as competências da nova função. Gestão de pessoas, tomada de decisão, comunicação e desenvolvimento de equipes exigem aprendizado.
Uma pesquisa publicada pela SHRM em 2023 identificou que gestores despreparados podem enfrentar dificuldades em áreas como comunicação, decisões e orientação de pessoas. O levantamento também apontou a importância de treinamento, mentoria e acompanhamento.
Buscar orientação de gestores experientes, participar de treinamentos e avaliar os próprios pontos de desenvolvimento são formas de estruturar essa transição.
O que fazer nos primeiros meses
Uma forma de organizar a transição é começar por três frentes:
Entender a equipe: conhecer habilidades, desafios e expectativas
Alinhar prioridades: definir objetivos, responsabilidades e critérios de acompanhamento
Desenvolver repertório: buscar conhecimento sobre gestão, estratégia e tomada de decisão
A primeira experiência como gestor não precisa ser marcada pela tentativa de acertar tudo. O mais importante é reconhecer que liderar é uma competência que se desenvolve e que a preparação pode acompanhar cada nova etapa da carreira.













