Um dos pontos altos do segundo dia de Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que lotou a sala Vladimir Carvalho, foi a exibição dos três primeiros episódios da série policial Delegado, dirigida por Leonardo Lacca e Marcelo Lordelo. A obra brasileira traz Johnny Massaro no protagonismo, com produção de Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, ambos presentes no segundo dia.
Leonardo Lacca afirmou que a exibição na sessão especial Série no Cine é muito especial. “Esse prédio do cinema histórico guarda tantas memórias de tantos realizadores. É um festival muito querido e importante para o Basil. A experiência coletiva também de ver a série no cinema, a concentração de estar junto, conversar depois, é muito massa”, celebrou.
A obra pernambucana é a primeira série exibida no Festival de Brasília. Segundo o diretor Marcelo Lordello, é um grande passo para acabar com a diferença de tratamento entre a TV e o cinema. “Acho que a linguagem de cinema e de séries tem se imbricado cada vez mais. Antigamente tinha essa distinção forte do que era TV e do que era cinema. Hoje em dia, a gente pensa Delegado como um filme seriado. Isso dialoga muito com a nossa compreensão como realizador.”
Além do simbolismo histórico, a exibição no evento permitiu ao diretor vivenciar uma experiência única com o formato. Lordello destacou o impacto da recepção da audiência ao ver o trabalho projetado no cinema. “É um privilégio ver na tela grande, com o público, algo que a gente nunca imaginava fazer. Acho que nunca vou ter esse privilégio de novo com uma série.”
Nova experiência
Amósùn Camila Leite, moradora de Brasília há quase um ano, esteve pela primeira vez no festival e levou o filho, Vicente, de 8 anos. Para ela, que trabalha no mercado audiovisual, o evento é uma oportunidade de conhecer o que tem sido produzido em diferentes lugares do país. Mas construir memórias afetivas e incentivar o gosto pelo cinema desde cedo é o motivo principal para comparecer. “Meu filho vê muito desenho, animação, então o trouxe para vivenciar e conhecer outras linguagens”, diz.
Aos 22 anos, Eduardo Tiago acompanhou de perto o festival pela terceira vez. Essa, no entanto, é diferente, porque o estudante de audiovisual da Universidade de Brasília (UnB) atuou como técnico de som em um dos curtas selecionados para a Mostra Brasília. “Sempre me sinto muito eufórico por estar aqui vendo cinema brasileiro em toda a sua potência.” O desejo dele é conquistar cada vez mais espaço no festival. “Hoje já vai dar para ver como é exibir um filme neste grande lugar.”
Colaboraram Ricardo Dahen, Júlia Harlley* e João Pedro Alves*
*Estagiário sob a supervisão de Malcia Afonso













