Inflação no Brasil volta a cair e chega a 4,18% em 12 meses

O governo teme uma recessão, após a economia ter contraído 0,2% no último trimestre de 2022, o último do governo Jair Bolsonaro

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BIE - Banco de Imagens Externas - Rotina de trabalho da farmácia da ASCADE localizada na Câmara dos Deputados.A MP 653, altera a Lei nº 13.021, de 8 de agosto de 2014, que dispõe sobre o exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas.Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A inflação acumulada em 12 meses no Brasil caiu em abril pelo décimo mês consecutivo, para 4,18%, segundo dados oficiais que tendem a reforçar a pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por uma redução nos juros.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que havia ficado em 4,65% no mês passado, foi o menor desde outubro de 2020 (3,92%), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

E está dentro da meta do Banco Central do Brasil (BCB).

A inflação em abril foi de 0,61%, ante 0,71% em março, informou o IBGE.

“A forte queda na inflação brasileira foi baseada – encorajadamente – em uma base ampla” de várias das categorias analisadas, especialmente nos preços dos alimentos, disse William Jackson, economista de mercados emergentes da consultoria Capital Economics.

No entanto, isso não significa que o Banco Central iniciará imediatamente um ciclo de corte das taxas de juros, alertou.

“Acreditamos que o banco central vai querer ver mais evidências de que as principais pressões que afetam os preços estão diminuindo”, disse ele em comunicado.

Lula, que assumiu seu terceiro mandato em janeiro, qualificou de “absurdo” o nível da taxa (13,75%), ao qual atribui complicações no mercado de trabalho pelo efeito de desaceleração da economia, a maior da América Latina.

O governo teme uma recessão, após a economia ter contraído 0,2% no último trimestre de 2022, o último do governo Jair Bolsonaro.

Mas o Banco Central não deu sinais de que vai flexibilizar a postura, apesar de a inflação ter voltado para a meta em março (1,75%-4,75%).

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) manteve a taxa pela sexta vez consecutiva em sua última reunião, em 3 de maio.

E, em resposta velada às pressões, que vêm inclusive de setores industriais, o Copom indicou que “a situação exige paciência e serenidade na condução da política monetária”.

Com o atual patamar da taxa de juros referencial (Selic), o Brasil se classifica como o país com a maior taxa de juros real (que desconta a inflação) do mundo, segundo ranking elaborado pela gestora de patrimônio Infinity Asset.

Agence France-Presse

Por Redação do Jornal de Brasília

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado / Reprodução Jornal de Brasília