Inadimplência no DF em agosto foi estável, segundo SPC

Levantamento realizado junto à CDL-DF indica que percentual no DF é menor que as médias do Centro-Oeste e Brasil

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O número de inadimplentes no Distrito Federal ficou estável em agosto, conforme destaca pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Na comparação entre agosto de 2022 e de 2023, e na variação mensal, o percentual de pessoas com dívidas em atraso na capital foi de 0,29% e 0,49%, respectivamente.

De acordo com o levantamento feito em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas do DF (CDL), o aumento está abaixo da média do Centro-Oeste, que fechou agosto com elevação de 3,44% em 12 meses, e da média nacional, que teve elevação de 7,17% no mesmo período. De julho para agosto deste ano, tanto na região central quanto no Brasil, o aumento foi de 1,14%.

O presidente da CDL-DF, Wagner Gonçalves da Silveira Júnior, destacou que houve um pico de inadimplência em 2021, mas que, de lá para cá, e com a diminuição de casos da pandemia, a curva de inadimplência teve padrão de queda e está estável atualmente, tendo alguns meses com maior porcentagem e outros menos. Segundo ele, as quedas têm sido maiores que as elevações.

“Do ano passado para cá, a tendência é de queda – o crescimento é pequeno. Comparando os anos anteriores, na média geral estamos em queda, chegando a um nível de variações dentro da estabilidade”, afirmou. A maior porcentagem de inadimplentes está entre pessoas na faixa de 30 a 39 anos, sendo 25,69%, seguida dos que têm entre 40 e 49 anos, com 23,6%. Com 20,35% de inadimplência, estão as pessoas entre 50 e 64 anos.

Em agosto deste ano, a média das dívidas dos que estavam negativados no SPC era de R$ 5.637,69. A maior porcentagem de contas em atraso, porém, era de até R$ 500,00 – os dados do levantamento indicam que um em cada quatro brasilienses tinha dívidas abaixo desse valor. O segundo maior grupo, com 21,72% dos endividados, devia entre R$ 2,5 mil e R$ 7,5 mil. Em terceiro lugar, estavam os que deviam valores acima de R$ 7,5 mil.

A média de tempo que cada um dos brasilienses endividados gasta para quitar as contas em atraso é de pouco mais de dois anos (cerca de 26 meses). Aproximadamente 38,82% dos inadimplentes no DF costumam pagar o valor total das dívidas no período entre 1 a 3 anos. Os que demoram até 90 dias correspondem ao menor percentual, sendo 8,5%.

Além disso, no mês passado, cada inadimplente tinha pelo menos duas contas em atraso.

Fatores agravantes

A inadimplência na capital, segundo o presidente, acontece principalmente por dois fatores: por descontrole financeiro e em razão da estabilidade empregatícia do funcionalismo público. A inadimplência por necessidade, como acontece com pessoas em vulnerabilidade social, também acontece, mas em menor escala.

Conforme explicou o especialista, a maior estabilidade financeira no setor público dá a falsa sensação de que as coisas estão sob controle. “A pessoa que está inadimplente e acaba não fazendo muito bem as contas, entra em um espiral de gastos”, disse. A resolução dos problemas, portanto, se torna mais difícil.

O número de dívidas em atraso, em ordem da menor porcentagem para a maior, é dos setores do comércio (5,70%), água e luz (8,35%), comunicação (8,51%), e outros (9,43%). Quem corresponde ao maior credor no DF são os bancos, que cobrem 68,02% das dívidas em atraso na capital.

Ainda, outro fator que dificulta a quitação das dívidas são os altos juros deste último credor. “Os juros cobrados no Brasil são exorbitantes, muito maiores do que os cobrados em outros países. Qualquer atraso atrapalha e muito as pessoas a pagarem”, destacou.

Por Vítor Mendonça do Jornal de Brasília

Foto: Arquivo Agência Brasil / Reprodução Jornal de Brasília