Covid-19: Luta heroica de profissionais de saúde para salvar vidas

Os profissionais da saúde enfrentaram contaram ao Correio como foi atuar na pandemia da covid-19 sem saber com o que estavam lidando. Muitos morreram tentando salvar vidas de desconhecidos

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A pandemia de covid-19 trouxe para a medicina e a ciência o maior desafio do século. Era uma guerra diária, em que se tentava de tudo para salvar vidas numa maratona contra o tempo. Profissionais de saúde, vestidos como astronautas, tiveram que escolher, entre os pacientes graves, quem teria uma chance de viver. Tornou-se impossível dar assistência digna a todos que chegavam em estado crítico nas emergências. A crise prolongada também levou funcionários de hospitais à morte contaminados. Outros tantos conviveram com a estafa física e mental. Para preservar a vida de familiares, muitos deles ficaram hospedados em hotéis. 

O técnico em enfermagem do Hospital Regional da Asa Norte, Deny Veloso, 37 anos, trabalhou na linha de frente da covid-19, durante o período mais crítico da pandemia. “Um dos piores momentos foi quando estávamos com a equipe bastante reduzida e tivemos que escolher, entre dois pacientes em parada cardiopulmonar ao mesmo tempo, qual iríamos tentar reanimar. No fim, ambos acabaram falecendo”, lamentou. “Também me dói saber que os familiares daquelas pessoas não puderam se despedir da forma correta devido aos protocolos de segurança”, acrescentou.

Veloso estava no HRAN e foi o primeiro a atender a um paciente com covid-19 no DF. “Isso criou um clima de tensão entre os trabalhadores da unidade. Depois, veio o lockdown e a confusão se instalou. Foi uma loucura, insanidade total. Primeiro pela questão de Equipamento de Proteção Individual (EPI), não havia no mercado os equipamentos corretos e nem suficientes para todo mundo utilizar”, lamentou. “Houve um dia em que fiz um atendimento com máscara cirúrgica porque não tinha mais a N95, que era a adequada”, acrescentou.

Por Arthur de Souza do Correio Braziliense

Foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press/ Reprodução Correio Braziliense