Comissão geral da CLDF discute vigilância para a febre aftosa

Doença que incide em rebanhos foi erradica no DF e em boa parte do país. Vacinação deixou de ser obrigatória em âmbito distrital em 2022.

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As pessoas do campo, a agropecuária e o combate à febre aftosa pautaram a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) nesta quinta-feira (16). Comissão geral da casa legislativa debruçou-se sobre o Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PE-PNEFA). O debate foi proposto pelo deputado Pepa (PP), presidente da Comissão de Produção Rural e Abastecimento (CPRA).

A doença em questão consiste em uma infecção viral aguda que acomete animais de casco fendido, como bois, ovelhas, cabras e porcos. Com alto grau de contágio, os sintomas de adoecimento incluem febre e lesões na boca e nos pés que podem comprometer a alimentação e a locomoção dos bichos afetados.

Participaram o secretário de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do DF (Seagri-DF), distrital Rafael Bueno; o vice-presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do DF (Fape-DF), Rogério Tokarski; bem como o médico veterinário Alvaro Luiz de Castro, que é coordenador regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do DF (Emater-DF).

Na ocasião, a coordenadora do Programa de Vigilância em Febre Aftosa e Doenças Vesiculares da Seagri-DF, Priscila Moura, apresentou os principais pontos da política de combate no âmbito distrital. Ela explicou que a doença impacta diretamente nas relações comerciais internacionais e que, graças à vacinação e a outras medidas, o país avança a passos largos para conquistar o reconhecimento internacional de erradicação da febre aftosa. O último caso no DF remonta a 1993 e no Brasil o registro mais recente é de 2005. Vacinação, vigilância e controle de movimentação de animais são os instrumentos que viabilizaram tal progresso.

Devido às conquistas, o Ministério da Agricultura e Pecuária baseou-se em estudos para lançar um plano estratégico para a retirada da vacinação e substituição por ações de vigilância com o Serviço Veterinário Oficial (SVO) e outros atores da área. Delineado para um período de dez anos (2017-2026), o programa promete consolidar o reconhecimento do Brasil como país livre da doença. As vantagens dessa chancela são muitas, como mais competitividade de negócios, acesso a mercados com melhor remuneração, o aumento da visibilidade dos produtos e os efeitos positivos em toda a cadeia produtiva.

No DF, a vacinação contra febre aftosa foi suspensa em 2022. “De 2023 para cá, a Seagri tem fortalecido o sistema de acompanhamento”, explica Moura. “A vigilância é uma responsabilidade compartilhada, precisamos da ação de todos os envolvidos, produtores, profissionais técnicos e agentes políticos”, convocou. Assim, viabiliza-se a detecção precoce da doença, caso ressurja.

Agropecuária no DF

Moura também deu dimensão do impacto da agropecuária no Valor Bruto de Produção (VBP) do DF: em 2022, somou-se cerca de R$ 1,5 bilhão. A pecuária responde por mais de R$ 235 milhões desse total. Diante deste cenário, o deputado Pepa refletiu que a pujança da agricultura no DF torna essencial que a câmara distrital trate esse assunto como uma comissão, e não como frente parlamentar, “dando importância de fato ao que está sendo produzido”.

“Vivenciamos o DF por muito tempo como a cidade do servidor público e hoje vivemos como a cidade do empreendimento. E o empreendimento rural acontece diariamente”, complementou o parlamentar.

O vice-presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do DF (Fape-DF), Rogério Tokarski, por sua vez, questionou o atraso na regulamentação das terras rurais no Distrito Federal. “O homem do campo não tem tido apoio da sociedade”, apontou. Quanto à questão fundiária, o secretário de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do DF (Seagri-DF), Rafael Bueno, anunciou que o GDF vai “fazer regularizações em bloco, porque o produtor está cansado de aguardar”.

Nomeações nas carreiras da Seagri

Aprovados em concurso da carreira da secretaria compareceram à comissão geral para reivindicar nomeações. Em sua fala, o médico veterinário Alvaro Luiz de Castro, que é coordenador regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do DF (Emater-DF), explicou que os servidores da Emater se desdobram para atender todas as demandas institucionais, mas lamenta que alguns pontos estão deficitários pela falta de pessoal.

Já Rafael Bueno disse que o governo quer fortalecer os servidores, a carreira e o sistema agropecuário do DF. “O prédio é apenas parede. A Secretaria de Agricultura são esses homens e mulheres que cumprem sua função no dia a dia, embaixo de sol, chuva, na madrugada, inclusive no Natal e ano novo”, concluiu.

Daniela Reis – Agência CLDF

Por Agência CLDF

Foto: Carolina Curi/ Agência CLDF / Reprodução Agência CLDF