O relator da PEC da Segurança na Câmara, deputado Mendonça Filho (União-PE), afirmou à CNN nesta quarta-feira (14) esperar que o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, chegue ao cargo “com disposição ao diálogo” para avançar em políticas de enfrentamento à violência.
“Eu espero que o ministro Wellington chegue com disposição ao diálogo, de alguém que conhece a área, como ex-promotor público e procurador-geral de Justiça, para que a gente possa avançar numa política pública de combate à violência, que é o problema número um da população brasileira”, disse.
O deputado destacou ainda que pretende contribuir com o ministro para mudanças nessa “realidade assustadora”, onde 26% da população vive sob influência do crime organizado. “A gente precisa juntar os esforços do Parlamento, do Executivo, dos estados e municípios para que a gente enfrente o desafio da falta de segurança pública”, afirmou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, na terça-feira (13), a escolha de Wellington César para comandar o Ministério da Justiça e Segurança Pública após o pedido de demissão de Ricardo Lewandowski. O jurista tem boa relação com Lula e com a ala baiana do governo, como o ministro da Casa Civil, Rui Costa.
Como mostrou a CNN, em conversa reservada no Palácio do Planalto após o anúncio, Lula pediu diretamente que o novo ministro priorize duas matérias no Congresso: a PEC da Segurança e o PL Antifacção.
A orientação tem como pano de fundo o impacto da pauta da violência nas eleições de outubro deste ano. Pesquisas recentes apontam que segurança pública está entre as maiores preocupações do eleitorado, atrás apenas de economia e saúde.
Wellington terá como missão central recompor a relação da pasta com o Legislativo, desgastada após votações como o PL Antifacção e a PEC da Blindagem. Apesar das tensões, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou nesta terça-feira (14) ao Palácio do Planalto que irá pautar a PEC da Segurança Pública ainda neste semestre.
Procurado pela CNN, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, deputado Paulo Azi (União-BA), também comentou a indicação do novo ministro. Segundo ele, o desempenho de Wellington César dependerá de sua autonomia dentro do governo.
“Se ele vier unicamente monitorado por aquilo que pensa o governo, as chances de ele avançar nessa pauta vão ser muito pequenas, porque o Congresso tem uma posição muito clara em relação às alterações que precisam ser feitas na segurança pública do país, tanto naquele projeto Antifacção, quanto na PEC. Então, a capacidade de articulação dele tem que funcionar muito mais dentro do governo do que dentro do Congresso”, afirmou.
Por Por Brasília
Fonte CNN Brasil
Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados













