O enoturismo em Brasília

Atualmente, Brasília conta com 16 vinhedos, entre eles cinco têm experiências regulares de enoturismo

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O mercado de enoturismo no DF, atualmente tem chamado a atenção dos amantes de vinhos. Os moradores de Brasília que quiserem buscar conhecer vinhedos, encontram na capital um lugar com clima propício para o cultivo de uvas e produção de vinhos. De acordo com dados do laboratório de pesquisa EnoTur Lab, o enoturismo de Brasília representa, em média, 75% do faturamento das vinícolas.

No DF, diferente da forma tradicional da colheita de verão, a produção de vinhos passa pela dupla poda, uma modificação de ciclo que permite que as uvas sejam colhidas no inverno. E as principais uvas utilizadas em Brasília são a sauvignon blanc e a Shiraz (ou shyraz).

O EnoTurLab surgiu com o objetivo de mapear as vinícolas de Brasília, e incentivar o mercado de enoturismo do DF. A idealizadora da iniciativa, Tainá Zaneti, conta que o projeto de pesquisa nasceu em 2021 a partir do financiamento do Fundo de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (Fap DF), para desenvolver o enoturismo do DF e entorno, que já produz vinho há mais de dez anos. “Porém, nos últimos cinco anos, intensificou-se as áreas de vinhedos”, afirma. E ainda segundo ela, nos últimos três anos, as experiências enoturísticas e os espaços para receber os enoturistas também aumentaram. “Foi um boom especialmente depois da pandemia”, adiciona.

Foi observado pelo projeto que existia no DF uma grande demanda de enoturistas no mercado brasiliense. Então com esse contexto, o primeiro laboratório de observação, pesquisa e criação de experiências enoturísticas do Brasil foi criado, com a metodologia do que consiste em estudar o mercado de Brasília primeiramente. “E também, em catalogar e observar o que existe de experiências enoturísticas no Brasil e no mundo”. As visitas técnicas para a análise do enoturismo em outros lugares, é dividida em países que já tem o enoturismo consolidado como a Itália, e em países que não são tradicionalmente conhecidos como espaço de enoturismo. “Como a Tailândia, para mostrar que não necessariamente você está em um destino turístico, mas você pode criar uma tradição e uma oferta enoturística que faz com que você se fortaleça no setor”, exemplifica.

O projeto produziu um site chamado Enoturmap, que é um mapa do enoturismo de Brasília, com os vinhedos e as experiências desse mercado. Tainá explica que o enoturismo hoje abraça outras perspectivas e formas de turismo, então o mapa do enoturismo inclui atividades que vão além das visitas aos vinhedos. “Até porque o enoturista hoje não é só mais um enófilo, não tem somente pessoas que gostam de vinhos. Geralmente tem uma pessoa do grupo que gosta mais de vinhos, mas as pessoas que o acompanham não necessariamente gostam, então a gente percebe que as vinícolas estão preparadas para receber esses outros tipos de turistas”, elabora.

Ela cita como exemplo a Fazenda Ercoara, uma das principais vinícolas do enoturismo em Brasília, com uma experiência de Wine Day. Nessa categoria, as pessoas passam o dia lá, e além do vinho em si, têm a oportunidade de praticar o turismo de natureza, de observação do cerrado, e também, de turismo rural com as ovelhas criadas no local, o espetáculo do pastoreio e outras coisas. “É muito interessante ver a interseção de pelo menos outras três áreas do turismo, como turismo de vinho, de natureza e de gastronomia nativa, baseada em frutos do cerrado, e o turismo rural”. Essa interseção associada ao enoturismo é uma grande propulsora para que cada vez mais pessoas entrem nas experiências e queiram participar.

No mapa afetivo do vinho, também são catalogados os meios urbanos para as pessoas experimentarem os vinhos. Espaços para degustação de vinhos locais e nacionais com comidas pensadas para acompanhar, e ter uma experiência enoturística dentro de um espaço pensado para o vinho. Tainá acredita, que isso faz com que o enoturista que vive essa experiência urbana, procure nos seus momentos de lazer, viver a experiência enoturística no meio rural, nas vinícolas. “Então, isso mostra a importância dos vinhos de Brasília estarem inseridos nesses espaços de vinho em bares e restaurantes, e os eventos pensados para o vinho, para incentivar pessoas que são do meio urbano, a procurarem viver as experiências enoturísticas no meio dos vinhedos”.

Tainá argumenta que o enoturismo no DF tem muito potencial, a começar pelo clima propício para a produção de vinho, com oito ou nove meses sem chuva, o que proporciona que os enoturistas conheçam os vinhedos a céu aberto tanto de dia como de noite. “Os dias e as noites de Brasília podem ser aproveitados pelo enoturismo”, adiciona. Ela frisa ainda, que existe uma demanda reprimida gigante de enoturistas. Segundo a pesquisadora, algumas das vinícolas têm até 800 pessoas na lista de espera para participar das experiências. Como Brasília é um dos principais polos gastronômicos do Brasil, isso faz com que o investimento em enoturismo na capital tenha bastante retorno. “As pessoas gostam de comer bem e beber bem, tem muito curso de vinho em Brasília, várias adegas, espaços e lojas. Além de muitas confrarias e enófilos”. Para ela, Brasília é um espaço privilegiado, com um público dedicado a isso, tanto em relação a tempo, quanto em relação econômica.

As visitas aos vinhedos

A pesquisadora aponta que agências especializadas na logística de visita às vinícolas facilitam muito. “Uma das experiências que a gente viu no Uruguai, que a gente pensa que seria muito interessante para Brasília, é o Wine Bus, que é um ônibus com estrutura de um restaurante, onde as pessoas vão comendo e bebendo vinho até chegar à vinícola”.

Na capital federal, Natália Cristina e Marcos Vinícius são sócios do Enotur Brasília, uma empresa que nasceu em 2021 com o intuito de levar as pessoas para fazer o enoturismo com segurança e com conforto. Natália explica que a região rural PAD-DF, tem um potencial turístico grande e eles pensaram em viabilizar um roteiro para as pessoas terem a oportunidade de visitar o local, tranquilas, sem precisar dirigir, e sem se preocupar com a volta.

A empresa tem seis meses, e é a primeira agência de enoturismo do DF, com roteiros fixos todo sábado. “Nosso objetivo é levar as pessoas em segurança, é mais do que poder ir às vinícolas e não pegar o bafometro”. A especialista em vinhos explica que a estrada para a região é perigosa, então, ela e Marcos pensaram em planejar roteiros de translado para priorizar um passeio mais seguro. Como aponta Marcos, o mercado na região estava precisando muito dessa ponte para sair de Brasília e poder ir para lá com toda segurança e tranquilidade.

A agência faz a ponte entre o cliente e o prestador de serviços. “O que seriam as vinícolas, a produção de café, girassol, ou outras oportunidades de roteiro ali na região”, explica Natália. O roteiro tem início na 204 sul com pacotes individuais, mas dependendo do grupo, a agência faz pacotes exclusivos e traslados individuais. Em média, mais de 656 pessoas já fizeram o roteiro com eles, desde que começou o projeto, em janeiro. “É uma região que vai explodir de vinho e tem uma demanda suficiente”, considera Natalia.

Então, faz sentido que haja essa procura por roteiros para as vinícolas. “E isso é uma forma de ampliar o turismo do DF, porque ir para as cachoeiras é maravilhoso, tem a Chapada que todo mundo visita, mas tem esse novo mercado de turismo”, salienta. Marcos acredita que todo mundo gosta de vinho, mas mesmo assim, eles estão em busca de explorar o enoturismo para além dos vinhedos, e também fazem visitas aos campos de girassol, produção de café e o que mais a região do PAD-DF tiver para explorar. Como aponta Natália, a Fazenda Santa Rosa, produz o café Grão Nativo, com grãos selecionados, “E levamos as pessoas lá para conhecer como são feitos do início ao fim, até a torrefação. O que abriu nossa mente para lapidar essa rota ainda mais”.

Para ela, o brasiliense é carente de turismo, e a produção de vinhos finos foi uma realização. Já que esses roteiros para essas vinícolas focam na produção de vinhos finos, mas existem os vinhos de mesa também. “O brasiliense entra na onda, e se é uma coisa de qualidade, não tem como dar errado. É um público que gosta de algo bem feito”, comenta. O enoturismo é uma oportunidade, e o Vale dos Vinhedos é a inspiração. “E muito provavelmente nos próximos cinco anos, o pessoal de lá, virá ao DF conhecer os vinhos de inverno, porque lá são os vinhos de verão, e com certeza vamos fazer essa troca de figurinhas muito em breve”, finaliza.

Serviço

Enotur Brasília, roteiros enoturísticos: 61 98138-2346

Por João Victor Rodrigues do Jornal de Brasília

Foto: Reprodução Jornal de Brasília