Membro do PCC é alvo de operação no DF

Nas buscas, foram encontradas anotações sobre o PCC. Os manuscritos não contém ordens de ataques da organização criminosa, mas serão analisados pela 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia)

0
713

Um membro do Primeiro Comando da Capital (PCC) foi alvo de busca e apreensão da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O alvo junto a um outro integrante da cúpula, identificado como Walter Pereira de Lima, conhecido como Waltinho, ameaçou, em 2018, sequestrar algum familiar da juíza Leila Cury, titular da Vara de Execuções Penais (VEP).

O mandado de busca foi cumprido na quarta-feira (29/11) na casa do alvo, em um apartamento de Brazlândia, após a polícia receber informações que o acusado teria voltado a integrar a facção. Foram encontradas anotações sobre o PCC. Os manuscritos não contém ordens de ataques da organização criminosa, mas serão analisados pela 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia).

Formalmente inquirido, o morador disse que já deixou o PCC. Segundo ele, o processo de desligamento durou um ano e foi baseado na sua iniciação religiosa.

Operação Sicário

Doze integrantes das facções do PCC e Comando Vermelho (CV) foram denunciados pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT). Os investigados respondem por organização criminosa e podem se tornar réus, caso a Justiça aceite a denúncia.

Os criminosos foram presos no âmbito da segunda fase da operação Sicário, desencadeada pela 18ª DP em 29 de maio. As investigações acerca da atuação das organizações criminosas na região começaram depois que a polícia chegou ao encalço de Gabriel dos Santos Lima. Gabriel é filho de Walter Pereira e foi encarregado pelo pai de recrutar novos membros para a facção paulista.

Com a prisão de Gabriel, os investigadores descobriram a presença de mais criminosos faccionados que atuavam no tráfico de drogas, em roubos e homicídios. A polícia constatou que, entre 2008 e 2016, foram registrados vários assassinatos relacionados a guerras entre gangues de Brazlândia por disputa por pontos de drogas. Em regra, as execuções eram ordenadas por grandes traficantes, que cooptavam pessoas para serem os executores dos crimes. O respectivo cenário de violência possibilitou a identificação e prisão dos “líderes”.

Walter Pereira era um dos líderes que, de dentro da Papuda, “batizou” o filho Gabriel e era responsável por transmitir recados da cadeia para fora. “Waltinho”, como é mais conhecido, foi condenado a mais de 58 anos de prisão por crimes como tráfico de drogas, roubos, porte ilegal de arma de fogo e organização criminosa. O ex-integrante do Comboio do Cão (CDC), facção fundada no DF, está envolvido em uma série de crimes relacionados ao PCC. Em 2015, o grupo em que ele pertence foi responsável por, pelo menos, 22 explosões de caixas eletrônicos no DF. No mesmo ano, ele e a mulher (também integrante do PCC), conhecida como “Rapunzel”, foram detidos com um total de 39 artefatos explosivos.

Preso, Walter começou a articular formas para repassar recados para criminosos soltos. O filho Gabriel foi encarregado por ele para a missão de recrutar e batizar novos membros para a facção. Em uma das conversas colhidas pela polícia, de 2022, Gabriel chega a dizer que o pai “o colocou em uma facção”. O genitor ainda atribuiu outras ordens ao criminoso de atacar policiais e atear fogo nos ônibus da cidade. O objetivo era gerar pânico na cidade e atacar grupos rivais.

O criminoso de alta periculosidade também se envolveu na transmissão de recados ameaçadores a um delegado da PCDF e à juíza da VEP. No manuscrito, Walter ordenava o sequestro de um membro da família da magistrada, na tentativa de coagi-la a expedir alvarás de soltura de internos.

Por Darcianne Diogo do Correio Braziliense

Foto: PCDF/Divulgação / Reprodução Correio Braziliense