Agricultura e floresta juntas transformam lavouras do DF

Produtores rurais do DF adotam tecnologias de produção que preservam o meio ambiente por meio de práticas conservacionistas para reduzir o uso de veneno na lavoura

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Preservar o meio ambiente é um desafio para agricultores do DF que buscam, cada vez mais, implementar novas técnicas para preservar a terra e desenvolver atividades e uma agricultura sustentável. Dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) revelam que foram realizados 2.152 atendimentos sobre técnicas referentes ao Manejo e Conservação de Água e Solo, 551 somente neste ano.

A Emater destaca também que os aprendizados adquiridos em razão da crise hídrica de 2016/2017, possibilitou ao produtor rural maior clareza sobre as intervenções que devem ser feitas para adequação ambiental. Assim, muitos deles adotam práticas conservacionistas. O DF possui mais de 5 mil agricultores que trabalham com atividades sustentáveis, destes, quase 3 mil adotaram práticas de preservação e 2 mil estão em transição agroecológica ou certificados como produtores orgânicos, segundo a empresa.

O processo de educação continuada da Emater-DF colabora de forma participativa com os agricultores, apresentando soluções e tecnologias que interagem com o ambiente. Para a engenheira ambiental e extensionista rural da Emater-DF, Icléa Almeida de Queirós Silva, as práticas conservacionistas promovem a mitigação dos impactos ambientais desenvolvidos pelas atividades rurais e sensibilizam os produtores sobre o desenvolvimento sustentável.

“O DF está em região de planalto e no bioma Cerrado, com baixa disponibilidade hídrica superficial, compondo-se especialmente de nascentes e estreitos cursos d’água. É necessário a implementação de práticas de manejo e conservação de água e solo”, destacou.

Preservação

O produtor rural Vital Moraes Andrade, de 82 anos, que participa do Projeto Produtor de Água, começou a usar a técnica de preservação do meio ambiente depois que recebeu da Emater-DF e da Secretaria de Meio Ambiente e de Agricultura uma proposta para preservar árvores nativas do Cerrado em sua propriedade. Ele lembra que a empresa doou na época 200 mudas de árvores. Hoje, com aproximadamente 4 mil espécies nativas do bioma plantadas em 13 mil hectares de terra no Núcleo Taquara, em Planaltina. Ele também participa do Projeto Produtor de Água Mirim, que recebe alunos das redes pública e particular para conhecer o local e plantar uma árvore.

“Baseado nessa experiência que deu super certo, todo ano, eu planto mais árvores. Acho muito interessante contribuir com o meio ambiente e preservar o que a natureza nos dá de melhor. Eu me sinto confortável com essa prática, uma conservação que vou deixar para minha família e para as pessoas próximas do local”.

Joceilson Alves de Sousa, produtor rural da mesma região também utiliza práticas sustentáveis para preservar o meio ambiente e promover saúde e bem-estar às pessoas. Ele sentiu o desejo de fazer algo diferente em relação a isso, e em 2015, de produtor tradicional, ingressou na prática de desenvolvimento sustentável. Em 3 hectares de terra plantada, ele cultiva vários tipos de hortaliças, frutas e plantas medicinais como a Melaleuca alternifolia (confira quadro). 

“O produto orgânico é mais saudável e, na minha opinião, sai mais barato que o convencional. Quando oferecemos um produto dessa qualidade estamos promovendo saúde, bem-estar, realizando algo bom com energia positiva, para que tenhamos todos mais qualidade de vida. É importante consumir produtos livres de agrotóxicos e, além disso, contribuir com o meio ambiente, para que ele se mantenha vivo”.

Agroecologia

A agroecologia é a ciência que alia os princípios da natureza com a produção agrícola e conhecimentos tradicionais. Fornece princípios básicos para tratamento de ecossistemas tanto produtivos quanto preservadores de recursos naturais. A prática desenvolve agroecossistemas com dependência mínima de insumos agroquímicos.

Daniel Oliveira, gerente do Escritório Especializado em Agroecologia e Produção Orgânica (Esorg) da Emater-DF, destaca que essas técnicas têm se ampliado cada vez mais, principalmente após o lançamento do Programa de Bioinsumos do Governo Federal em 2020, que tem o objetivo de fortalecer a utilização de bioinsumos promovendo o desenvolvimento sustentável.

“A prática facilita a agricultura com mais ferramentas necessárias na produção de alimentos sem insumos. De forma geral, o consumidor tem exigido produtos mais limpos e sem resíduos químicos. A agricultura está caminhando para o equilíbrio da sustentabilidade e da melhoria de vida no planeta”, ressalta Daniel.

O professor Tamiel Khan Baiocchi Jacobson, coordenador do Programa de pós-graduação em Meio Ambiente da Universidade de Brasília (UnB) também destaca que o DF está no caminho certo, aderindo às novas técnicas que ajudam a diminuir o impacto da agricultura no ecossistema e produzindo um alimento saudável e livre de agrotóxicos.

“Esse é o caminho recomendável para o ser humano com o ecossistema, além de ser uma prática científica, é um movimento que tem uma dimensão muito maior no ecossistema que trata as relações humanas com o meio ambiente e com o próximo. A intenção da agroecologia é de que o alimento chegue cada vez mais nas comunidades como um todo, limpo de agrotóxicos preservando a vida, a saúde e o meio ambiente”.

Por Laezia Bezerra do Correio Braziliense

Foto:  Minervino Júnior/CB/D.A.Press/ Reprodução Correio Braziliense